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Nazista teria ajudado em captura de Che

Teoria está em novo filme de diretor britânico

O Estadao de S.Paulo

23 de dezembro de 2007 | 00h00

Che Guevara foi capturado com a ajuda do criminoso de guerra nazista Klaus Barbie. Essa é a conclusão do diretor escocês Kevin Macdonald em seu novo filme My Enemy?s Enemy (O Inimigo do Meu Inimigo), que estréia quinta-feira na TV britânica More4. A possibilidade intrigante ganhou destaque no The Observer, edição dominical do jornal britânico The Guardian, que publicou ontem entrevista com o diretor - vencedor do Oscar de Melhor Documentário em 2000 por Um Dia em Setembro. Segundo MacDonald, a CIA teria usado a experiência de Barbie em perseguir militantes da resistência francesa durante a II Guerra para capturar, em outubro de 1967, o guerrilheiro argentino Ernesto Che Guevara na Bolívia - para onde Barbie havia buscado refúgio, antes de ser preso, deportado e julgado na França, em 1987. "O filme revela uma história alternativa ao pós-Guerra. Há uma versão da história que afirma que, ao contrário do que sempre foi dito, a ideologia fascista prevalece. E a história de Barbie, o nazista que se tornou espião americano, é simbólica para revelar a verdadeira relação que o líderes do Ocidente tinham com o nazi-fascismo", afirmou o diretor no site www.imdb.com.Macdonald gosta de polêmicas. Em Um Dia em Setembro, revelou os bastidores do atentado palestino contra atletas judeus nas Olimpíadas de Munique, em 1972. Seu último filme, O Último Rei da Escócia, revela a história do ditador Idi Amin, que aterrorizou Uganda nos anos 70. Dessa vez, mirou na figura de Barbie, o "carniceiro de Lyon", que liderou a invasão alemã da França, deportou 44 crianças judias para Auschwitz e capturou Jean Moulin, líder da Resistência Francesa. My Enemy?s Enemy examina como o governo dos EUA recrutou Barbie para lutar contra o comunismo. Usando o pseudônimo de Klaus Altmann, Barbie, auto-exilado na Bolívia, passou a combater os esquerdistas com as mesmas práticas da II Guerra. "Ele conhecia o major Shelton, o comandante americano que capturou Che. E deu a ele conselhos de como lutar contra os guerrilheiros", declara, no filme, Alvaro de Castro, amigo de Barbie. "Sempre se gabou de ter delineado a estratégia para capturar Che", afirma, também no filme, o jornalista Kai Hermann. Apesar das evidências inconclusivas, Macdonald diz: "Muitos se gabam de ter capturado Che. Faz total sentido quando se entende para quem Barbie trabalhava na Bolívia. Os militares bolivianos também o admiravam por seus feitos como oficial nazista. A captura de Moulin ficou famosa e ele soube usá-la como chamariz para seu talento."

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