Negacionista britânico preso na Áustria ganha condicional

O escritor britânico David Irving, condenado a três anos de prisão por negar o Holocausto, foi posto em liberdade condicional nesta quarta-feira devido a uma decisão do Tribunal Regional de Viena.O tribunal atendeu a um pedido da defesa do autor, que queria que dois terços da pena imposta a ele fosse cumprida em liberdade condicional. Assim, como Irving já havia cumprido 13 meses de prisão, a sentença permite que ele deixe o cárcere.Segundo a esposa de Irving, o escritor vinha passando a noite em um centro de detenção e será escoltado até o aeroporto na quinta-feira, onde deverá embarcar para Londres. "Ele parecia estar em boa forma", disse ela. "Obviamente, Irving está feliz por ser solto." Ainda de acordo com a mulher, ele deve conceder uma coletiva de imprensa na noite de sexta-feira.De acordo com a sentença proferida nesta quarta-feira, já passaram-se quase duas décadas desde que Irving questionou publicamente a existência do Holocausto - fato ocorrido em palestras proferidas em 1989 em várias cidades da Áustria. Ainda segundo o tribunal, desde o episódio, o autor teve uma "conduta irretocável".No entanto, depois da audiência soube-se da existência de uma nova ordem de detenção contra ele, desta vez por supostamente ter reiterado suas teorias nazistas a um repórter de um jornal austríaco quando estava na cadeia.Um porta-voz judicial anunciou que será tomada uma decisão sobre se essa acusação será mantida, o que pode motivar uma nova detenção. Extrema direitaDavid Irving estava preso na Áustria desde que, em novembro de 2005, chegou ao país para dar palestras a convite de associações estudantis da extrema direita. Um mandado de prisão havia sido emitido contra ele em 1989 pela negação do Holocausto. Negar o extermínio de 6 milhões de judeus pelo regime nazista é crime na Áustria e pode levar a uma pena de até 10 anos de prisão. Em seus escritos, Irving argumenta que as mortes em campos de concentração como o de Auschwitz decorreram de doenças como a febre tifóide, e não da exterminação sistemática. Além disso, ele oferecia mil libras esterlinas a quem lhe desse provas de que Adolf Hitler sabia da existência daquele campo de concentração. A Áustria fez parte do Terceiro Reich de 1938 a 1945, depois de ser anexada pela Alemanha, e forneceu um número significativo de líderes nazistas, entre eles o próprio Adolf Hitler.

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