Abir Sultan/EFE
Abir Sultan/EFE

Negociação de paz começa em Jerusalém

Primeira rodada de diálogo entre palestinos e israelenses tem início em meio a desconfiança

O Estado de S. Paulo

14 de agosto de 2013 | 22h53

Após um hiato de três anos, autoridades israelenses e palestinas reuniram-se nessa quarta-feira,14, em Jerusalém, na primeira rodada de negociações do processo de paz lançado no mês passado pelo governo de Barack Obama. As expectativas em torno do encontro eram baixas e o conteúdo das conversações não foi divulgado.

A retomada do diálogo ocorre em meio a sinais contraditórios de Israel. Na terça-feira, o governo de Binyamin Netanyahu libertou 26 presos palestinos condenados por terrorismo, que foram recebidos com festa na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Antes, entretanto, Tel-Aviv havia anunciado mais de 3 mil novas construções em território palestino, sob protestos de Ramallah e condenações dos EUA e da União Europeia.

Foi a primeira vez em quase cinco anos que israelenses e palestinos fazem uma negociação em Jerusalém, cidade sagrada para ambos os lados e cuja posse está no coração do conflito.

O clima antes do encontro era de escasso otimismo. "Israel recorrerá a dissimulações, evasões e colocará exigências impossíveis para dizer que essas negociações são infrutíferas e continuar sua política de roubo de terras, como fez até agora", disse Yasser Abed Rabbo, um dos líderes da Autoridade Palestina.

A ministra da Justiça e negociadora-chefe de Israel, Tzipi Livni, escreveu em sua página do Facebook antes da reunião: "Hoje, eu vou continuar a importante missão que comecei – alcançar um acordo de paz que vai manter um Estado judeu democrático e garantir a segurança para Israel e seus cidadãos".

Para não atrapalhar o andamento da negociação, os envolvidos decidiram que poucos detalhes serão divulgados sobre o novo processo de paz. O negociador israelense Yaakov Peri disse que há uma "longa e exaustiva jornada até a paz".

O retorno do diálogo direto entre palestinos e israelenses foi decidido após intensas mediações do secretário de Estado dos EUA, John Kerry, que visitou a região seis vezes nos últimos meses. Kerry estipulou um prazo de nove meses para se chegar a um acordo que leve à criação de um Estado palestino "convivendo em paz e segurança" com Israel.

Pessimismo. Os 26 palestinos libertados na terça-feira por Israel haviam sido presos entre 1985 e 1994. Em contrapartida às libertações, os palestinos concordaram em deixar de lado o congelamento das construções de assentamentos como precondição ao diálogo de paz. O governo Netanyahu se comprometeu a libertar ao todo 104 presos palestinos, muitos dos quais ainda permaneceriam por décadas nas prisões.

"Acho que este é um dia triste para começar a negociar a paz, dialogando com gente que considera assassinos heróis", disse Erez Goldman, morador israelense de Jerusalém. "Não vejo como essas negociações podem dar frutos dessa maneira." / REUTERS

Tudo o que sabemos sobre:
JerusalémPalestinaOriente Médio

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.