Negociação de paz entre UTI e governo da Somália é adiada

As conversas de paz entre a União dos Tribunais Islâmicos (UTI) e o governo provisório da Somália, que deviam ser realizadas em Cartum, foram adiadas por tempo indefinido, informaram nesta quinta-feira os mediadores sudaneses na negociação. Os mediadores pediram às partes envolvidas que se contenham, e tentem respeitar os acordos anteriores firmados em Cartum. Os observadores e participantes se comprometeram a ajudar as partes somalis a retomar as conversas em Cartum "o mais rápido possível". A UTI havia reiterado na segunda-feira sua rejeição ao início das negociações com o governo provisório da Somália, enquanto tropas etíopes permanecessem em território somali. "É impossível manter um dialogo enquanto as forças etíopes invadem a Somália. Uma guerra pode explodir a qualquer momento", afirmou o chefe da delegação da UTI, Ibrahim Hassan Edu. Segundo Edu, a retirada dos cerca de 10 mil soldados que a vizinha Etiópia tem postado na Somália é um requisito fundamental para o prosseguimento das conversas. Esta rodada de conversas, a terceira realizada em Cartum, deveria abordar o estabelecimento de um futuro governo no país, e as medidas de segurança necessárias para tal. Também estava previsto o estudo da possível instauração de um mecanismo para assegurar o cumprimento dos acordos firmados em rodadas anteriores de negociação. Delegações do governo somali e da UTI se reuniram em junho e setembro, a pedido da Liga Árabe, para tentar resolver suas diferenças. No entanto, os acordos foram por terra quando o Executivo acusou a União de Tribunais Muçulmanos de seguir conquistando novos territórios. O primeiro-ministro etíope, Meles Zenawi, admitiu este mês que seu país enviou instrutores militares à Somália para ajudar o governo de transição a combater o regime fundamentalista da UTI, embora tenha negado taxativamente o fornecimento de tropas.

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