Negociação de Zelaya com oposição deve continuar

As negociações entre os representantes do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, e o novo governo do país ainda não chegaram a um consenso, enquanto milhares de hondurenhos que apoiam Zelaya seguem protestando pelas ruas do país. Dois dias de negociações mediadas pelo presidente costa-riquenho Óscar Arias entre os representantes de Zelaya e o líder interino de Honduras, Roberto Micheletti, terminaram na sexta-feira sem qualquer solução, mas Arias insistiu que os dois lados concordaram em retomar as conversas em breve.

AE, Agencia Estado

11 de julho de 2009 | 15h06

A presidência interina de Honduras confirmou que as negociações vão continuar. "Ordenamos que os representantes do presidente Micheletti permaneçam em San José para ter uma participação ativa em todas as discussões", afirmou o ministro da presidência, Rafael Pineda.

Aproximadamente 4 mil pessoas pedindo pelo retorno de Zelaya bloquearam hoje por duas horas as estradas que ligam a capital política de Honduras, Tegucigalpa, à sua capital econômica, San Pedro Sula. Os manifestantes também foram às ruas em San Pedro Sula, Choluteca e Puerto Cortes, na mais recente onda de demonstrações de apoio desde que Zelaya foi deposto e expulso de Honduras pelo exército, em 28 de junho.

Zelaya e Micheletti deram início às negociações na capital costa-riquenha na quinta-feira - mas em um sinal de sua mútua hostilidade, nunca se encontraram frente a frente, preferindo falar com Arias, separadamente, antes de deixar o país no mesmo dia.

Em conversa com repórteres na República Dominicana, Zelaya definiu as conversações como um pequeno primeiro passo rumo a "restauração do presidente eleito." Mas Micheletti, que retornou para Tegucigalpa na noite de quinta-feira, insistiu que permanece como "presidente constitucional."

O chefe da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, informou a uma rádio chilena "que ainda há intransigência nos dois lados." Os líderes rivais disseram a ele "que as posições têm se tornado mais rígidas", acrescentou.

Zelaya, que desistiu no domingo de uma tentativa de pousar em Tegucigalpa quando soldados e veículos do exército bloquearam a estrada, prometeu retornar a Honduras e derrubar o governo interino. "Mesmo embora meu retorno não tenha sido possível, tudo o que esse regime está fazendo é nulo e vazio, e constitui um crime", disse. Zelaya tem o apoio da maior parte dos países da América Latina e do presidente norte-americano Barack Obama.

Os EUA suspenderam as relações militares com Tegucigalpa e estão alertando que poderiam cortar US$ 200 milhões em ajuda. O Banco Mundial e o Banco de Desenvolvimento Interamericano, por sua vez, congelaram linhas de crédito para o país. As informações são da Agência Dow Jones.

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