Negociação do Irã com potências ocidentais é prorrogada em 7 meses

Prazo atual para um acordo definitivo sobre o controvertido programa atômico persa terminaria hoje

O Estado de S. Paulo

24 de novembro de 2014 | 10h38

(Atualizada às 17h44) TEERÃ - O Irã e as seis potências mundiais reunidas em Viena, na Áustria, decidiram prologar em sete meses o prazo para um acordo final sobre o programa nuclear iraniano. O prazo original terminava nesta segunda-feira, 24.

O objetivo do adiamento é chegar a um consenso sobre o plano até março e ter os detalhes técnicos definidos até 30 de junho de 2015.

A decisão foi tomada entre representantes do Irã e o grupo P5+1, formado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, EUA, Rússia, China, França e Grã-Bretanha, e Alemanha. A rodada de negociações durou uma semana e teve como principal objetivo abrir caminho para o fim das sanções econômicas contra Teerã.

Com a extensão do prazo, ficou mantido o Plano de Ação Conjunta (JPOA, na sigla em inglês), acordo interino firmado entre as seis potências envolvidas e o Irã há um ano em Genebra, quando Teerã se comprometeu a interromper o enriquecimento de urânio a altos níveis em troca de um alívio limitado de sanções econômicas, incluindo o acesso a receitas de petróleo congeladas no exterior.

"Fomos obrigados a concluir que não é possível chegar a um acordo no prazo estabelecido para hoje e, por isso, vamos estender a JPOA até 30 de junho de 2015", disse o chanceler britânico, Philip Hammond, a jornalistas após as conversas.

O chanceler avaliou que o Irã e as potências "fizeram um progresso significativo" na última rodada de negociações, iniciada na última terça na capital austríaca. Hammond afirmou haver uma meta clara de se alcançar um "acordo principal" dentro de três meses.

As conversas serão retomadas no próximo mês. Ele não foi informou, porém, onde as conversas devem ocorrer.

Para Hammond, a expectativa era que o Irã continuasse a recuar em suas atividades atômicas consideradas sensíveis. Ele informou que, durante o período estendido, Teerã continuará apto a acessar cerca de US$ 700 milhões ao mês, de acordo com o alívio das sanções.

Uma autoridade iraniana confirmou o prolongamento das sanções, assim como o chanceler russo, Sergei Lavrov, que repetiu os comentários de Hammond sobre um "progresso substancial".

O secretário de Estado americano, John Kerry, confirmou a prorrogação por sete meses, mas alertou que as potências ocidentais "não permanecerão para sempre na mesa de negociações". "Nos últimos dias, fizemos substancial progresso com novas ideias. Por isso estendemos as conversas", afirmou.

O chefe da diplomacia americana se dirigiu ainda aos que se mostraram céticos sobre o sentido ds negociações, argumentado que a decisão de seguir com os contatos representa "manter aberto o caminho para uma solução pacífica".

Por isso, disse, seria "tolice" abandonar um processo no qual se investiu tanto tempo e até agora fez do mundo um lugar mais seguro. "Vamos suspender as sanções conforme se chegue a um acordo. Não chegamos ainda a um acordo", concluiu Kerry.

Os inimigos regionais do Irã, Israel e Arábia Saudita, acompanharam com atenção as negociações em Viena. Segundo a Reuters, ambos temem que um acordo pouco rígido não tenha capacidade de restringir as ambições nucleares de Teerã, enquanto um colapso nas negociações encorajaria o Irã a se tornar um Estado nuclear, algo que Israel costuma afirmar que nunca irá permitir. /EFE e REUTERS

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