EFE/Herbert Neubauer
EFE/Herbert Neubauer

Negociação entre Irã e potências é estendida até segunda-feira

Depois de mais uma rodada de negociação sem sucesso, países do P5+1 e República Islâmica seguirão conversando no fim de semana

O Estado de S. Paulo

10 de julho de 2015 | 12h35

VIENA - Os Estados Unidos anunciaram nesta sexta-feira, 10, a extensão até segunda-feira da data limite para as negociações sobre o programa nuclear do Irã, 13 dias mais que o prazo inicial que expirou em 30 de junho. 

"Para permitir a negociação por tempo adicional, vamos dar os passos técnicos necessários para que continuem até o dia 13 as medidas do plano conjunto de ação (estipulado em 2013)", afirmou o Departamento de Estado americano em comunicado. 

Depois de não haver  acordo até o dia 30, as conversas se prorrogaram até o dia 7, primeiro, e depois até o esta sexta-feira.

Tanto a UE como os EUA anunciaram que estendem até segunda-feira as medidas estipuladas no Plano de Ação conjunto fechado com o Irã em novembro de 2013 e pelo qual seriam congeladas algumas sanções contra Teerã em troca da suspensão de parte de seu programa nuclear.

Essas medidas mútuas de boa vontade fazem parte do processo negociador entre Irã e as grandes potências que procura um acordo definitivo que assegure que o Irã não poderá fabricar armas atômicas.

Há 14 dias começou em Viena a rodada decisiva de negociações que, apesar dos avanços anunciados por ambas as partes, segue sem conseguir um entendimento total. 

Como nenhum acordo foi concluído até a manhã desta sexta-feira, qualquer acordo eventual agora será sujeito a um prazo de 60 dias de revisão pelo Congresso dos Estados Unidos, cético e dominado pelos republicanos, em vez de uma revisão acelerada de 30 dias caso o pacto fosse fechado até esta sexta.

Percalços.  Nesta sexta-feira, antes do anúncio da continuação das negociações, o Irã acusou as grandes potências de retrocederem nas promessas anteriores e incluírem novos limites nas conversas sobre o programa nuclear. "Agora, eles têm exigências excessivas", disse Zarif sobre a posição de negociação das potências.

Zarif tem mantido contatos intensos ao longo das últimas duas semanas com o secretário de Estado americano, John Kerry. Eles se reuniram periodicamente com ministros do Exterior da Grã-Bretanha, China, França, Alemanha e Rússia, no que seria o principal passo para a reaproximação do Irã com o Ocidente desde a Revolução Islâmica, em 1979. 

"Estamos conseguindo avanços, mas é penosamente lento. Ainda restam algumas questões por resolver", afirmou o ministro britânico das Relações Exteriores, Philip Hammond, após uma reunião com os chefes da diplomacia do Irã e do P5+1 (Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha, França e Alemanha) em Viena.

"Confio em nossos negociadores, que trabalham com os iranianos para esclarecer um pouco mais o texto nas próximas 12 horas, e acredito que poderemos nos reunir outra vez amanhã (sábado) para ver se conseguimos superar os últimos obstáculos", completou Hammond. 

A prorrogação ou adiamento do acordo final implicam em uma nova extensão do acordo preliminar assinado em novembro de 2013, que bloqueou parcialmente algumas sanções ocidentais em troca da suspensão de certas atividades nucleares de Teerã.

Apesar dos avanços, reconhecidos por todos, ainda restam muitas questões sem respostas. Teerã exige a suspensão das restrições sobre as armas e sobre seu programa balístico, adotadas em 2006 pela ONU, alegando que o embargo não tem qualquer relação com o programa nuclear.

Os países ocidentais, que admitem que cada país tem direito a um programa militar convencional, são contrários a suspender o embargo sobre armas devido ao contexto regional. Outros obstáculos são o calendário e o ritmo para a suspensão das sanções, assim como a inspeção das instalações iranianas pela ONU. / EFE, AFP e REUTER

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