Brendan Smialowski/ Reuters/ Pool
Brendan Smialowski/ Reuters/ Pool

Negociação nuclear com o Irã vive impasse

Rússia abandona reunião na Suíça e diz que voltaria apenas com "possibilidade real de acordo". França, Alemanha e Grã-Bretanha ameaçam seguir mesmo caminho

Jamil Chade - CORRESPONDENTE/ GENEBRA, O Estado de S. Paulo

30 Março 2015 | 07h46

LAUSANNE – Vivendo um impasse, o eventual acordo nuclear entre as maiores potências e o Irã é suspenso por enquanto e uma conclusão é adiada para terça-feira, 31. Reunidos em Lausanne desde o fim de semana, ministros ainda não conseguiram superar os últimos obstáculos para chegar a um entendimento que colocaria fim a uma tensão que já dura doze anos. 

Fontes diplomáticas revelaram ao Estado que existe um "acordo de princípios" sobre diversos aspectos do tratado. Mas isso ainda não garantiria um acordo final entre EUA, Rússia, China, Alemanha, Grã-Bretanha, França e Irã. Os governos têm até o fim do dia de amanhã para anunciar o tratado político definitivo, deixando mais três meses para desenhar dezenas de acordos técnicos. 

Mas a falta de um compromisso levou o chanceler russo, Sergei Lavrov, a anunciar na manhã desta segunda-feira, 30, que está retornando para Moscou. Ele voltaria para a Suíça amanhã se houvesse uma “possibilidade realista” de um acordo. Governos da Grã-Bretanha, Alemanha e França ameaçaram também deixar Lausanne. Mas optaram por continuar na cidade.

Impasse - O principal impasse se refere às sanções que o Ocidente mantém sobre o Irã. Teerã insiste que quer garantias de que os embargos serão imediatamente suspensos e que não voltem a ser aplicadas de forma automática. 

O acordo acabaria com o isolamento econômico do país. O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, exigiu o fim "mediato" das sanções. Para o presidente iraniano, Hassan Rouhani, esse aspecto do acordo é essencial para sua credibilidade. O político foi eleito justamente prometendo tirar o Irã das dificuldades econômicas em que se encontrava. 

"Essa é uma parte fundamental do acordo e agora cabe à outra parte tomar o passo final", alertou o presidente, segundo a agência estatal Fars. Um acordo significaria a volta do Irã ao mercado mundial de energia. 

Mas, para a Casa Branca, as sanções apenas poderiam ser retiradas de forma gradual e algumas poderiam ser mantidas por até dez anos, mesmo com o acordo. O ministro da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, também deixou claro que somente haverá um acordo se Teerã mostrar "flexibilidade" no que se refere às sanções. A percepção na Europa e EUA é de que foi justamente o isolamento econômico gerado pelo embargo que forçou o Irã a sentar à mesa para negociar.

Outro problema é a questão do destino do urânio enriquecido. O Irã rejeita deixar parte do material em instalações russas, enquanto a comunidade internacional não aceita as garantias de Teerã sobre o que seria feito com o urânio dentro do país.

Para completar, existe um impasse sobre a duração do acordo. As propostas variam entre 10 e 15 anos, o que poderia congelar qualquer pesquisa nuclear iraniana por esse período.

Sauditas – Fontes em Lausanne ainda confirmam que os ataques sauditas no Iêmen contra grupos apoiados pelo Irã “contaminaram” as negociações em Lausanne. No fim de semana, a Liga Árabe ainda anunciou um acordo para a criação de uma força árabe para supostamente lutar contra “terroristas”.

A medida, porém, foi vista como um sinal claro de que países sunitas se prepararam para conter uma eventual expansão da influência política do Irã na região. Sem sanções, Teerã acredita que teria as condições ideais para voltar a crescer e, uma vez mais, influenciar grupos pela região. 

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