Negociações com Irã chegam a impasse na Áustria

Chanceleres iraniano e americano se reunirão para decidir sobre centrífugas e quantidade de urânio enriquecido

O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2014 | 02h02

VIENA - As negociações sobre o programa nuclear do Irã chegaram ao seu ponto mais crítico nesta sexta-feira, 21, na Áustria, quando o secretário de Estado americano, John Kerry, e o ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohamed Javad Zarif, deixaram a mesa de reuniões.

Após darem declarações conflitantes sobre o andamento das conversas, Kerry e Zarif ficaram em Viena para retomar o diálogo, que deve se estender durante o fim de semana - segunda-feira é a data limite para a obtenção de um pacto.

EUA, China, França, Grã-Bretanha, Rússia e Alemanha iniciaram uma rodada final de conversas com o Irã na terça-feira, com o objetivo de alcançar um acordo segundo o qual Teerã retardaria seu programa nuclear para garantir que ele não seja direcionado para a fabricação de bombas nucleares em troca da suspensão de sanções econômicas contra o país.

Durante a semana, autoridades que participam das negociações em Viena disseram que os dois lados continuam inflexíveis nos temas centrais, não devem conseguir um acordo definitivo até a data limite de segunda-feira e poderão ampliar o prazo.

Kerry e o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, concordaram que "esforços adicionais" seriam necessários para conseguir um acordo. "Os lados não descartaram a possibilidade de uma reunião ministerial das partes envolvidas nas negociações sobre o programa nuclear iraniano, se houver a perspectiva de progresso", disse Lavrov após conversa por telefone com o secretário de Estado americano.

Zarif afirmou que não houve avanço no diálogo. "Houve discussões importantes, mas nenhuma proposta significativa que mereça ser levada até Teerã", disse o iraniano, após reunir-se com Kerry.

Um dos principais obstáculos para um acordo está em definir a quantidade e a pureza do urânio enriquecido permitidos para o Irã em razão do duplo uso civil e militar que tem o combustível nuclear. Outro impasse é sobre como definir o ritmo de levantamento das sanções impostas há anos pela comunidade internacional para obrigar o Irã a negociar um acordo.

O ministro de Relações Exteriores da Grã-Bretanha, Philip Hammond, disse que os temas tratados são complexos e ainda há diferenças importantes entre as partes. "Todos nós teremos discussões técnicas com nossos especialistas depois de sair daqui e retomaremos no fim de semana", disse.

As potências ocidentais suspeitam que Teerã busque adquirir a capacidade de fazer uma bomba nuclear por meio do enriquecimento de seu estoque de urânio, enquanto o Irã afirma que o programa serve apenas para produzir energia para uso civil.

O chanceler iraniano cancelou os planos de voltar a Teerã para discutir com membros do primeiro escalão do governo. Segundo a mídia iraniana, a razão da mudança de curso não foi esclarecida.

Mais cedo, autoridades dos EUA e da França declararam que Kerry e o ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, voltariam a Paris nesta sexta-feira, depois da reunião com Zarif. Os dois diplomatas devem retornar a Viena durante o fim de semana. / AFP, EFE e REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.