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Negociações de paz sobre a Síria em Genebra acabam sem acordo

Oposição quanto o governo sírio deixam claro que não há espaço para superar o impasse

Jamil Chade - Correspondente,

14 de fevereiro de 2014 | 15h19

GENEBRA - Depois de três semanas de esforços diplomáticos, negociação de paz sobre o conflito na Síria em Genebra fracassou. Mediadores admitem que não existe, por enquanto, nem mesmo uma data para que o processo seja retomado. Hoje, uma última reunião pode ocorrer entre as partes envolvidas na negociação na sede da ONU. Mas tanto a oposição quanto o governo sírio deixam claro que não há espaço para superar o impasse e que uma decisão sobre a sobrevivência terá de envolver a Casa Branca e o Kremlin.

A iniciativa foi a primeira em três anos para colocar numa mesma sala rebeldes e governo. Sem sequer um ponto em comum para iniciar o debate, o diálogo fracassou. "Não é que o processo chegou a um impasse. Ele, no fundo, nem começou", disse o vice-chanceler russo, Gennadi Gatilov.

O processo termina com ampla troca de acusações. Entre os sírios, a oposição acusa o governo de ter usado as três semanas para ganhar tempo e, militarmente, avançar em várias regiões do país. Segundo a oposição, o número de mortes no país deu um salto nesse período, superando a marca de 5 mil em apenas três semanas.

Os rebeldes insistem que a única forma de fazer avançar a negociação é estabelecendo um órgão de transição na Síria, sem a presença de Bashar Assad. Mas o grupo acusa o governo de se recusar a dialogar e exige que uma nova equipe seja enviada por Assad.

"Não tivemos uma resposta positiva à nossa proposta. Chegamos a um impasse e não poderemos superar esse ponto se não houver uma nova equipe que queira interagir e negociar. É decepcionante", declarou o porta-voz dos rebeldes, Louay Safi. "Não há ainda uma definição se o processo vai continuar", disse.

A preocupação da oposição é a de que o governo tem usado o tempo de negociações em Genebra para avançar militarmente na Síria, enquanto da sinais ao mundo de que está disposto a dar uma chance para a diplomacia. "Para que haja uma nova rodada de negociações, precisamos ver um progresso real e vamos esperar para ver o que a comunidade internacional fará antes de decidir se voltaremos para a mesa de negociações", disse Safi.

Do lado do governo, a acusação é justamente direcionada aos rebeldes. Damasco se recusa a falar da possibilidade de ver Assad fora de um governo de transição e insiste que a prioridade nas negociações de paz é "lutar contra o terrorismo".

"Lamentamos que não houve avanço", disse o vice-chanceler Faisal Makdad. "Mas o outro lado veio com uma agenda diferente e que não é realista", disse. "Viemos com o sincero desejo de acabar com o terrorismo. e vamos deixar claro que a outra parte sequer reconhece que existe o terrorismo", disse.

Makdad atacou até mesmo as declarações da chefe de operações humanitárias da ONU, Valerie Amos, que havia criticado o governo sírios pelos problemas de acesso à Homs e a outras áreas afetadas. "Até guerras tem regras", disse Amos. "O que ela disse é inaceitável", rebateu o chanceler.

O mediador da ONU, Lakhdar Brahimi, tentou estabelecer uma agenda em que os dois pontos - terrorismo e transição política - seriam tratados de forma paralela. Mas nem isso foi aceito. Nos últimos dias, Washington e Moscou enviaram seus negociadores para Genebra para tentar destravar o processo. Mas sem sucesso.

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