ROBERTO SANCHEZ/PRESIDÊNCIA/AFP
ROBERTO SANCHEZ/PRESIDÊNCIA/AFP

Negociações entre Cuba e EUA são ‘importante passo’, afirma Dilma

Em discurso na Celac, presidente elogiou 'coragem' de Obama e Castro, mas condenou a manutenção de embargo econômico dos EUA

Débora Bergamasco, Enviada Especial / San José, O Estado de S. Paulo

28 de janeiro de 2015 | 22h55


SAN JOSÉ, COSTA RICA - A presidente Dilma Rousseff disse na noite desta quarta-feira, 28, que com o anúncio da retomada do diálogo entre Estados Unidos e Cuba "começa a se retirar de cena o último resquício de Guerra Fria em nossa região". Ela elogiou a "coragem" de Raúl Castro e Barack Obama para dar esse "importante passo" e aproveitou para elogiar a iniciativa brasileira de financiar a construção do Porto de Mariel na ilha cubana. Segundo Dilma, a atitude do Brasil "atuou em prol de uma integração abrangente" entre os países de toda América.

O pronunciamento da presidente aconteceu em San José, capital da Costa Rica, durante a 3ª Cúpula Celac, que reúne representantes de 33 países da América Latina e Caribe, com o objetivo de discutir o combate à pobreza. Entretanto, as atenções do evento estão voltadas para a retomada histórica de diálogo entre Havana e Washington.

Dilma saudou a atitude dos dois chefes de Estado, mas condenou a manutenção do embargo econômico dos EUA à Cuba. "Foram necessários coragem e sentido de responsabilidade histórica por parte de Raúl Castro e Barack Obama para dar esse importante passo. Merecem nosso reconhecimento pela decisão que tomaram - benéfica para cubanos, norte-americanos, mas, sobretudo, para todo o continente. Mas não podemos esquecer que o embargo econômico, financeiro e comercial americano continua em vigor". A presidente chamou o bloqueio de "medida coercitiva, sem amparo no Direito Internacional".

A petista também agradeceu ao governo e ao povo cubano o apoio que "têm dado ao atendimento dos serviços básicos de saúde para 50 milhões de brasileiros", em referência à adesão de profissionais da ilha ao programa Mais Médicos.  

Economia. A petista fez ainda um diagnóstico do cenário econômico internacional e sobre a desaceleração econômica de potencias mundiais. Neste contexto, detalhou os avanços sociais do Brasil, apesar da conjuntura desfavorável. Dilma defendeu a política anticíclica adotada durante o seu primeiro mandato, embora esteja agora dando uma guinada na condução econômica do País, com uma série de ajustes do chamado Plano Levy, comandado pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. "Continuamos a enfrentar muitas dificuldades. Parte dos efeitos da crise foi amenizada pelo modelo de desenvolvimento econômico que adotamos, com forte ênfase na inclusão social e nas políticas anticíclicas", defendeu ela.

Na tentativa de demonstrar sua intenção de reconquistar a simpatia e a confiança do setor empresarial brasileiro e de investidores estrangeiros, a presidente propôs ainda a criação de um Fórum de Empresários da Celac, em que governos da América Latina e de países do Caribe possam se reunir com empresários em uma conferência internacional.

De acordo com Dilma, o objetivo dessa iniciativa é "desenvolver o comércio, aproveitando as oportunidades diversificadas em nossas economias oferecem e estimular a integração produtiva no espaço Celac, promovendo nossas relações com o resto do mundo". Como a cúpula tem feito eventos para dialogar com nações fora da América, como ocorreu no início deste ano com a China, esse futuro fórum empresarial poderia reunir outros estratégicos países do globo.

Tudo o que sabemos sobre:
CubaEUACelacDilma Roussef

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.