Negociações entre Tibete e China são adiadas por terremoto

Representante do dalai-lama espera que conversas previstas para 11 de junho sejam retomadas ainda neste mês

REUTERS

06 de junho de 2008 | 09h34

As conversas entre enviados tibetanos e autoridades chinesas, agendadas para 11 de junho, foram adiadas devido ao terremoto do mês passado, disse um representante do dalai-lama nesta sexta-feira, 6, acrescentando que espera que os dois lados se reencontrem ainda este mês.   Veja também: Entenda a questão do Tibete  No começo de maio, ocorreram os primeiros encontros na cidade chinesa de Shenzhen, logo depois de um protesto anti-Pequim em Lhasa e áreas vizinhas. Na ocasião, ficou acertado que outro encontro ocorreria no da 11 de junho. Mas Tenzin Taklha, importante representante dodalai-lama, o líder espiritual tibetano, disse que as conversas foram adiadas por causa do terremoto que atingiu a província chinesa de Sichuan, matando mais de 69 mil pessoas. "Estamos tentando agendar novas datas, a primeira data era 11 de junho, mas isso foi adiado", disse Taklha. "Por causa da situação na China depois do terremoto, tivemos de adiar a data. Mas espero que, até o fim de junho, (a conversa) aconteça", disse. A China tem dito que a "camarilha de dalai-lama" foi responsável pela confusão no Tibete e pelos protestos que, posteriormente, atrapalharam o revezamento da tocha olímpica pelo mundo. No encontro de maio, os dois enviados tibetanos afirmaram que os acontecimentos no Tibete eram um "claro sintoma da profunda mágoa e ressentimento dos tibetanos" em relação às políticas do governo chinês há décadas. A mídia estatal chinesa, por outro lado, acusou o líder tibetano de tentar manchar o nome da China e impedir seu crescimento, dias antes do encontro com os enviados. Durante a conversa, cada lado lançou propostas "concretas" que poderiam fazer parte de uma futura agenda, disse Lodi Gyari, um dos dois enviados tibetanos. "Queremos que (as conversas) aconteçam o mais cedo possível e com a maior frequência possível", disse na quinta-feira Thubten Samphel, autoridade do governo tibetano. "Encontros frequentes e rápidos vão dissipar todas as suspeitas mútuas e aumentar a confiança. Baseados nisso, poderemos resolver a questão", afirmou.

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