Negociações para dividir poder no Paquistão emperram

A ex-primeira-ministrapaquistanesa Benazir Bhutto disse neste sábado que emperraramas negociações para dividir o poder com o presidente PervezMusharraf, mas que ela retornaria ao Paquistão em breve mesmosem um acordo. "Ainda não chegamos a um consenso", disse ela em coletivade imprensa em Londres sobre as negociações com Musharraf. Elaquer a saída dele da chefia do Exército para manter acandidatura à reeleição como presidente. Bhutto retornaria aocargo de primeira-ministra. Ela afirmou que as negociações entre seu partido e osenviados de Musharraf "obtiveram 80 por cento de sucesso, masparecem ter emperrado". A delegação de Musharraf retornou aoPaquistão para consultas. O Paquistão, uma nação com armas nucleares, corre risco deinstabilidade e agitação enquanto Musharraf planeja seu futuroe exilados como os ex-primeiros-ministros Bhutto e Nawaz Sharifse preparam para voltar para casa. Bhutto, acusada de corrupção, poderia ser detida ao chegarno país e nega que seu retorno seja motivo para a falta deestabilidade. "Eu vi meu país desestabilizado durante minhaausência." "Nós tomamos a decisão de anunciar a data de 14 de setembropara o meu retorno porque pensamos que meu retorno seria umfator para a estabilidade do Paquistão", declarou. Bhutto encontrou colegas do Partido do Povo do Paquistão emLondres neste sábado para decidir os próximos passos. Enquantoisso, Musharraf avalia suas opções antes das eleiçõespresidenciais que deverão ocorrer entre 15 de setembro e 15 deoutubro, as quais, ele acredita, lhe darão outro mandato decinco anos. Mas com a queda em sua popularidade e o aumento dosdesafios para seu governo, Musharraf precisa de apoio. Ele sevoltou para Bhutto em busca de ajuda para ampliar sua base. Bhutto insiste em um acordo, que depende de Musharrafdeixar o cargo de chefe do Exército, de onde saem osgovernantes do país em mais da metade do período após aindependência declarada em 1947. Bhutto também quer imunidade das acusações contra si eoutros que estiveram no governo no fim dos anos 1980 e nadécada de 1990. Com dúvidas aumentando quanto a um acordo com Bhutto,Musharraf estuda garantir apoio dos partidos conservadoresislâmicos. Mas o líder de uma aliança de partidos religiosos,Fazal-ur-Rehman, disse neste sábado que não apoiaria opresidente. "Nenhum poder democrático está pronto para apoiar opresidente Musharraf no Parlamento", declarou.

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