REUTERS/Abdalrhman Ismail
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Negociador da oposição síria pede demissão e diz que negociações fracassaram

Em comunicado, Mohamed Alush afirmou que ‘as três rodadas de negociações não tiveram sucesso em razão da obstinação do regime, contínuos bombardeios e agressões ao povo sírio’

O Estado de S. Paulo

30 Maio 2016 | 09h47

BEIRUTE - O negociador-chefe da oposição síria, Mohamed Alush, anunciou no domingo sua demissão, alegando como motivos o fracasso das negociações e os contínuos bombardeios do regime de Bashar Assad sobre as zonas rebeldes.

Sua demissão chega três dias após o emissário da ONU na Síria, Staffan de Mistura, ter afirmado ao Conselho de Segurança que não havia previsão de uma nova rodada de negociações antes de "duas ou três semanas".

"As três rodadas de negociações (em Genebra) não tiveram sucesso em razão da obstinação do regime, os contínuos bombardeios e suas agressões ao povo sírio (...), anuncio minha retirada da delegação e minha demissão", indicou Alush em um comunicado publicado em sua conta do Twitter.

Ele também denunciou a "incapacidade da comunidade internacional para fazer com que suas resoluções sejam aplicadas, especialmente no que concerne ao aspecto humanitário, à suspensão de cercos para a entrada de ajuda, à liberação de prisioneiros e ao respeito da trégua".

Alush se referiu ao acordo entre Rússia e EUA sobre o fim das hostilidades entre o regime e os rebeldes, que entrou em vigor no dia 27 de fevereiro e, desde então, foi violado em diversas ocasiões. “As negociações sem fim enterram as chances desse povo", lamentou.

Mohamed Alush dirige o movimento armado de inspiração salafista Jaish al Islam, um dos mais influentes na Síria e do qual fazem parte centenas de grupos de insurgentes que aprovaram a trégua.

As negociações de paz estão suspensas desde o final de abril pela oposição, integrada na Comissão Suprema para as Negociações, que acusou o Exército sírio e a Rússia de violarem a trégua e de lançarem uma ofensiva contra Alepo.

Bombardeios. Pelo menos 6.340 pessoas morreram nos últimos 8 meses pelos bombardeios da aviação da Rússia, aliada do governo de Damasco, na Síria, segundo dados publicados nesta segunda-feira, 30, pelo Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Das vítimas, pelo menos 2.099 eram civis, entre os quais havia 500 menores de idade e 318 mulheres.

Os ataques da força aérea russa também causaram 2.270 baixas nas fileiras do grupo terrorista Estado Islâmico e 1.971 nas de organizações rebeldes sírias, além das da Frente Al-Nusra - filial da Al-Qaeda no país - e as do Exército Islâmico do Turcomenistão.

A Rússia iniciou em 30 de setembro uma campanha de bombardeios na Síria. Tanto Moscou como Damasco afirmam que os ataques são contra organizações terroristas, mas o Observatório e opositores asseguram que os aviões russos também têm como alvo zonas residenciais e bases de brigadas opositoras, como o Exército Livre Sírio (ELS). /AFP e EFE

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