Negociador do Irã cancela reunião na Alemanha

O negociador-chefe do Irã para questões nucleares cancelou na sexta-feira uma viagem para a Alemanha para participar de uma conferência, na qual a Organização das Nações Unidas (ONU) esperava negociar um "tempo" no impasse sobre as ambições nucleares iranianas. "Soubemos que o senhor (Ali) Larijani não virá à conferência por motivo de doença", disse à Reuters Horst Teltschik, organizador chefe da Conferência de Segurança de Munique. Antes da divulgação da notícia, o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, Mohamed ElBaradei, havia feito um apelo ao Irã e ao Ocidente para que evitem uma "reação em cadeia descontrolada" na direção de um conflito, e disse torcer para que uma solução fosse encontrada em Munique. Martin Jaeger, porta-voz do Ministério da Alemanha, disse que a reunião havia sido marcada já pensando no prazo final de 21 de fevereiro estabelecido pelo Conselho de Segurança para que o Irã pare de enriquecer urânio, sob risco de sofrer mais sanções financeiras. A expectativa era de que Larijani se reunisse com autoridades alemãs e da União Européia, além de ElBaradei. ElBaradei havia pedido aos dois lados que dessem um "tempo" simultâneo, com o Irã interrompendo a produção de combustível nuclear e as potências interrompendo as ações para impor sanções. O Irã afirma que só quer dominar a tecnologia nuclear para produzir energia elétrica com fins pacíficos. O Ocidente teme que o país queira produzir uma bomba atômica. "Há uma necessidade urgente de diplomacia e liderança criativas", disse ElBaradei à revista Der Spiegel de sexta-feira. "Se só nos concentrarmos nas sanções ... esse confronto corre o risco de acabar numa reação em cadeia descontrolada ... No Oriente Médio de hoje, que é como uma barril de pólvora, é preciso tomar muito cuidado", afirmou ElBaradei, Prêmio Nobel da Paz. O Irã prometeu para domingo um anúncio "significativo" sobre seus progressos nucleares. Os EUA, por sua vez, estão mobilizando forças no Golfo, mas dizem estar comprometidos com a diplomacia. ElBaradei sugeriu que o interlúdio durasse três meses, para dar tempo a um acordo abrangente.

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