Paul Ellis / AFP
Paul Ellis / AFP

Negociadores do Reino Unido e da UE avançam em acordo para o Brexit

Esboço consiste em criar fronteira aduaneira no Mar da Irlanda e manter aberta a fronteira terrestre entre a Irlanda e a Irlanda do Norte

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2019 | 16h21

BRUXELAS  - Negociadores britânicos e europeus avançaram nesta terça-feira, 15, para apresentar um novo acordo para o Reino Unido deixar a União Europeia antes do prazo final de 31 de outubro. O esboço do pacto consiste em criar uma fronteira aduaneira entre o bloco e o país no Mar da Irlanda e manter aberta a fronteira terrestre entre a Irlanda e a Irlanda do Norte para evitar um Brexit sem acordo - potencialmente caótico para os britânicos. 

Segundo o negociador-chefe da UE, Michael Barnier, isso evitaria a instalação de uma fronteira física que implicaria no fim dos Acordos da Sexta-Feira Santa, que colocaram fim ao confronto na Irlanda do Norte em 1998. 

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“As negociações estão ativas e um resultado positivo ainda é possível”, disse Barnier, que ressaltou que ainda há diversas questões técnicas a serem resolvidas. 

Caso confirmado, o acordo indicaria uma concessão do premiê Boris Johnson, que corre contra o tempo para evitar uma nova prorrogação do Brexit. Eurocéticos dentro do Partido Conservador temem que, caso um acordo não seja fechado, a chance de um segundo referendo que rejeite definitivamente o Brexit ganhe força. 

Por meio de um porta-voz, Johnson disse que pretende apresentar um acordo na reunião do Conselho de Ministros da UE na quinta-feira. “Estamos trabalhando duro e cienes de que o prazo é curto”, disse o porta-voz James Slack. 

No Parlamento britânico, o principal obstáculo para um acordo nesses termos é o DUP, partido unionista da Irlanda do Norte, que forma a coalizão de governo de Johnson. O DUP diz que qualquer medida que trate a região de forma distinta consistiria numa divisão informal do Reino Unido, algo inaceitável para a legenda. 

Representantes da Alemanha e da França, os principais países da UE, se disseram otimistas com um acordo. O chanceler da Irlanda Simon Coveney, disse que as próximas horas são críticas.  “Vai ser difícil, mas não impossível”, disse. / AP e NYT

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