Negro, mas com a cara dos indígenas

Obama faz campanha e conquista votos dos ''primeiros americanos''

Denise Chrispim Marin, O Estadao de S.Paulo

04 de novembro de 2008 | 00h00

A doutora Lula Stago votou em Al Gore, em 2000, e em John Kerry, quatro anos depois. Em 2008, novamente votará em um democrata para a Casa Branca. Mas, pela primeira vez, diz ter realmente se identificado com seu candidato. Aos 63 anos, essa filha de uma índia navajo com um apache acabou seduzida pela idéia de ter na presidência Barack Obama, uma pessoa que parece entender seus dilemas e de quem não espera medidas assistencialistas para os indígenas do país."Meu pai morreu cedo e minha mãe criou sete filhos sozinha. Nós éramos pobres e ninguém nos deu nada de graça. Acredito que, com trabalho, podemos ter o que necessitamos", disse."Não voto em Obama porque ele é negro, mas porque sua história de vida tem muito a ver com a nossa. (O republicano John) McCain não tem identidade nenhuma conosco", completou Lula, que hoje se dedica ao treinamento de profissionais de Saúde em Winslow, cidade do Arizona com 9.520 habitantes rodeada pelas reservas navajo e hopi.Normalmente esquecida, a população de 4,1 milhões de indígenas dos EUA tornou-se alvo de disputa entre os dois candidatos às eleições presidenciais de hoje. Nessa disputa, Obama tem levado vantagem sobre McCain, que preside a Comissão de Assuntos Indígenas do Senado americano e representa o Arizona, um Estado onde há 20 tribos.Desde o início da campanha, McCain assumiu o compromisso moral de não receber doações de indígenas, com a justificativa de que esse dinheiro seria mais bem utilizado pelas comunidades. A mensagem não chegou a comover os indígenas, e o partido republicano tampouco manteve a promessa. Aceitou, segundo o Wall Street Journal, uma doação de US$ 1,2 milhão de nações indígenas.O democrata não agiu de maneira muito diferente. Segundo reportagem, Obama aceitou uma doação de US$ 1 milhão de associações indígenas e também o título de "Barack Águia Negra", com o qual se tornou membro honorário da nação crow. Mas Obama não escondeu o financiamento indígena. Ao contrário, a oferta do dinheiro foi apenas uma resposta à decisão do democrata de estender sua estratégia eleitoral a essa comunidade. Sua campanha distribuiu folhetos com promessas de Obama de trabalhar junto aos líderes tribais para impulsionar a educação, os pequenos negócios e o acesso ao sistema de saúde. Em Estados com maior presença indígena, como o Novo México, dirigiu-se especialmente aos "primeiros americanos" nos seus discursos.

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