Negros e pobres são as primeiras baixas dos EUA

Jovens que tentaram escapar dos guetos negros americanos ou da pobreza latino-americana estão entre as primeiras vítimas das Forças Armadas americanas que combatem no deserto iraquiano. A primeira baixa foi o cabo José Gutiérrez, cuja morte foi hoje lamentada, na Cidade de Guatemala, pelo chanceler guatemalteco Edgar Gutiérrez. Nascido na Guatemala, o futuro cabo chegou clandestinamente aos EUA aos 16 anos, depois de viajar a pé desde seu país natal. Arranjou um trabalho na Califórnia, onde conseguiu cidadania americana, entrando mais tarde para o serviço militar. Mas seu sonho, que terminou nas areias do deserto, era formar-se arquiteto.Morreu em combate na sexta-feira, quando o batalhão de fuzileiros navais a que pertencia entrou em ação em Umm Qasr. Fontes da Chancelaria informaram que na Guatemala Gutiérrez só tem uma irmã, com a qual mantinha contato, mas cujo nome está sendo mantido sob sigilo. Entre os negros cujos filhos engrossam as fileiras da campanha bélica está Anecita Hudson, a mãe que ontem reconheceu seu filho Joseph entre os prisioneiros de guerra capturados pelas tropas iraquianas. Anecita é viúva de um militar da Marinha falecido há 12 anos na Flórida, em um acidente de moto. A carreira militar do marido levou Anecita e o filho a um longo périplo por bases militares dos EUA e que terminou em Alamogordo, no Novo México, onde vivem atualmente. Joseph entrou para o Exército para poder pagar os estudos. Com lágrimas nos olhos, Anecita pediu hoje: "Digam aos iraquianos que por favor tratem bem meu filho e lhe permitam voltar para casa". Patrick Miller, de 23 anos, residente em Park City, no Kansas, e que já tem dois filhos é outro dos prisioneiros de guerra em mãos dos iraquianos. Os soldados negros ou das minorias étnicas constituem a grande maioria das forças americanas, pois alistar-se na Marinha é uma forma de fugir da pobreza. Outro desses casos é o do sargento Kendall Watersbey, morto em combate aos 29 anos, que nasceu no gueto negro de Baltimore e se alistou entre os marines quando sua primeira mulher ficou grávida. "Ele queria um trabalho que desse um futuro para sua família, para seu filho", contou o pai de Kendall, Michael, que hoje reagiu indignado contra o presidente George W. Bush diante das câmeras de televisão. "Sem-vergonha. Com sua guerra, você levou meu filho", disse Michael, ao ser entrevistado pela TV.Veja o especial :

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