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Neil Young critica Trump após perder a casa em incêndio na Califórnia

Outras celebridades, como o ator Gerard Butler e as cantoras Lady Gaga e Miley Cirus também tiveram as residências consumidas pelas chamas; número de mortos chega a 42

O Estado de S.Paulo

12 Novembro 2018 | 12h28

LOS ANGELES, EUA - O cantor Neil Young criticou o presidente americano Donald Trump por sua relutância em agir contra o aquecimento global depois de a grave onda de incêndios que atinge o Estado da Califórnia ter destruído a sua casa. Outras celebridades, como o ator Gerard Butler e as cantoras Lady Gaga e Miley Cirus também tiveram as residências consumidas pelas chamas, que já deixaram 42 mortos. 

"A Califórnia é vulnerável não só pela falta de cuidado com as florestas como nosso presidente quer que acreditemos", disse Young em seu site oficial. "Somos vulneráveis em razão das mudanças climáticas; esse clima extremo e as secas prolongadas são parte disso. "

"Imaginem um líder que desafia a  ciência, dizendo que soluções oferecidas por ela não fazem parte de suas políticas para nós", acrescentou Young. "Imaginem um líder que se preocupa mais com ele que com um povo. Um líder que não está apto."

A residência da cantora Miley Cyrus foi uma das destruídas pelo incêndio.  "Totalmente devastada pelos incêndios que afetam minha comunidade. Sou uma das que teve sorte. Meus animais e o AMOR DA MINHA VIDA conseguiram sair com segurança e isto é tudo que importa agora", escreveu no Twitter.

"Minha casa não existe mais, mas as memórias compartilhadas com parentes e amigos permanecem forte" completou.

Em viagem à Europa, onde participou das celebrações do centenário do fim da Primeira Guerra Mundial, Trump publicou uma mensagem na mesma rede social na qual culpou o Estado da Califórnia e sua "política mal feita para áreas florestais" pelos incêndios que atingem o sul e o norte do Estado. 

Trump é um cético em relação ao aquecimento global e já disse publicamente que as mudanças climáticas são "um boato inventado pela China para prejudicar a economia americana". No ano passado, o presidente abandonou o Acordo do Clima de Paris, embora estados e empresas americanas não tenham seguido sua orientação. 

Recorde de mortes

O incêndio que arrasa o norte da Califórnia desde quinta-feira ultrapassou o mais letal já registrado na história do Estado americano, com um balanço provisóriode 42 mortes, enquanto outros incêndios no sul do Estado deixaram pelo menos outros dois mortos.

O "Camp Fire", que afeta uma ampla região ao norte da capital do Estado, Sacramento, é o maior e mais devastador de vários incêndios ativos, que provocaram a fuga de mais de 250 mil pessoas e a destruição de 6,4 mil casas na cidade de Paradise. Ao sul, o "Woosley Fire" afeta os condados de Ventura - onde fica a cidade de Malibu, residência de várias estrelas de Hollywood - e de Los Angeles.

As autoridades não conhecem o paradeiro de 200 pessoas somente na região de Paradise. Várias zonas afetadas pelas chamas ficaram sem serviço de telefonia celular.

Condições climáticas dificultam combate às chamas

O Serviço Nacional de Meteorologia advertiu para condições "extremamente críticas" no combate aos incêndios. As previsões indicam ventos de 80 km/h na região costeira da Califórnia e de até 96 km/h nas áreas montanhosas. As autoridades afirmaram que a propagação das chamas foi mais rápida desta vez.

"Há 10 ou 20 anos você ficava em casa quando acontecia um incêndio e era capaz de ficar protegido", disse o comandante dos bombeiros do condado de Ventura, Mark Lawrenson."Mas as coisas não são como eram. A taxa de propagação é exponencialmente maior do que era. Por favor considerem as ordens de evacuação."

O governador da Califórnia, Jerry Brown, também falou sobre o cenário: "Este não é novo normal, este é o novo anormal. E este novo anormal continuará nos próximos 10, 15 ou 20 anos", disse. "Infelizmente, a melhor ciência nos diz que o calor, a seca, todas estas coisas ficarão mais intensos". / AFP

 

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