EFE/ Facundo Arrizabalaga
EFE/ Facundo Arrizabalaga

Nenhum acordo sobre o Brexit é melhor que um acordo ruim, diz May

Premiê rejeita pressão da UE, mas defende um acordo bom para ambos os lados nas negociações com a União Europeia

O Estado de S.Paulo

02 Março 2018 | 11h50

LONDRES - "Vamos sair do mercado único. A vida vai ser diferente". Foi assim que a primeira-ministra britânica, Theresa May, alertou nesta sexta-feira, dia 2, os cidadãos do Reino Unido sobre o futuro depois do Brexit. A primeira-ministra conservadora, que apontou 29 de março de 2019 como data para a saída da UE, afirmou que as negociações se aproximam de um momento decisivo e "não há como escapar à complexidade da tarefa" que ambas as partes têm pela frente.

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Em um tom mais duro, May disse que não seria pressionada pelas demandas da União Europeia na negociação do e disse que “nenhum acordo” ainda é melhor do que um acordo ruim para o Reino Unido.  "Os eleitores britânicos votaram por retomar o controle das leis, fronteiras e recursos do Reino Unido”, disse May, um dia depois de a União Europeia tornar público um rascunho das negociações como forma de pressionar Londres a acelerar a conclusão de um acordo

Num aguardado discurso endereçado tanto a Bruxelas quanto aos eleitores britânicos, May detalhou sua visão sobre as futuras relações comerciais entre o Reino Unido e a União Europeia (UE).”Eu vou ser direta com as pessoas e enfrentar os fatos difíceis que o processo do Brexit suscitou”, disse May no discurso.

“De certo modo, nosso acesso aos mercados uns dos outros será menor do que é agora”, disse May. “Como seria possível sustentar a estrutura dos direitos e obrigações da UE, se o Reino Unido - ou qualquer país - pudesse usufruir todos os benefícios sem ter todas as obrigações?"

Embora tenha enfatizado que o acesso ao mercado único vai ser reduzido, ela propôs um acordo comercial sem precedentes para garantir relações próximas com os vizinhos europeus. “Mas nem Londres nem Bruxelas vão obter tudo o que querem. Será preciso fazer concessões”.

Numa mudança de rumo, anunciou que o Reino Unido está disposto a aceitar as regras europeias e a fazer contribuições financeiras para permanecer associado a agências que regulam os setores de medicamentos, químicos e aeroespacial, por exemplo. Defendeu ainda que a regulamentação de bens e serviços no Reino Unido e na UE permaneçam “substancialmente semelhantes”, reconhecendo que a jurisdição do bloco pode continuar afetando os britânicos. 

O governo britânico tem reservas quanto ao projeto de acordo elaborado pela UE. Um dos maiores impasses diz respeito à Irlanda do Norte. Enquanto a UE propõe que o país permaneça sob as regras alfandegárias do bloco, a primeira-ministra voltou a repetir que a integridade constitucional britânica não pode ser afetada e não aceitará uma fronteira controlada entre o Reino Unido e a Irlanda do Norte. 

A livre circulação de cidadãos europeus também vai acabar, lembrou May, tocando em outro ponto crucial que não é aceito por Bruxelas. Ainda não está claro, portanto, como o governo britânico poderia conseguir permanecer integrado ao bloco em certos setores, mas não em outros.

RECEPÇÃO NEGATIVA

Integrantes do Parlamento Europeu criticaram May. “Embora o chamado para uma relação profunda e especial seja bem-vindo, isso não será alcançado apenas colocando algumas cerejas a mais no bolo do Brexit”, disse Guy Verhofstadt, coordenador do Brexit no Parlamento Europeu. “Nossas relações devem ser próximas e abrangentes, mas o governo britânico precisa entender que a UE é uma organização baseada em regras e há pouca disposição para renegociar essas regras só para satisfazer à necessidade de aplacar as divisões no Partido Conservador Britânico”. Verhofstadt fez uma ironia por causa da guerra interna no partido de Theresa May, entre os parlamentares pró-UE e os defensores do Brexit. 

 

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