Neoliberalismo criou movimento selvagem e criminoso, diz Chávez

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, acusou o neoliberalismo de estar criando um movimento selvagem e criminoso dentro da Venezuela ao instigar a população a se revoltar contra ele para tirá-lo do poder. Chávez chegou às 11 horas a Porto Alegre, no avião presidencial venezuelano, para participar de atividades paralelas ao Fórum Social Mundial, entre as quais um ato de apoio a seu governo, promovido por sindicatos gaúchos. Há 56 dias a Venezuela enfrenta uma paralisação de suas atividades, convocada por adversários de Chávez e vê marchas gigantescas de partidários dos dois lados tomarem Caracas, alternadamente. Chávez insistiu que o único caminho para tirá-lo do poder é o constitucional. Para convocar o referendo previsto na Carta Venezuelana, a oposição deve conseguir a assinatura de um número de eleitores equivalente a 25% dos que foram às urnas na última vez. O referendo só afasta Chávez do poder se tiver o mesmo número de votos que o presidente conquistou nas eleições, quase 3,7 milhões e mais um. Ao sair do aeroporto por um portão lateral, Chávez foi cercado por 10 manifestantes do Círculos Bolivarianos, inclusive um uruguaio, que estão em Porto Alegre para participar do Fórum Social Mundial, e decidiu descer do carro. Curiosamente, a primeira conversa que teve foi com a representante comercial brasileira, Denise Telli, que portava um cartaz pedindo eleições na Venezuela. Chávez tentou explicar que é vítima de uma tentativa de golpe, mas convenceu a manifestante solitária. "Ele quer o apoio de pessoas de esquerda como o Lula, mas não vai levar porque a América Latina não quer mais ditadores ao estilo de Fidel Castro", comentou.Ao chegar ao Hotel Deville, às 12 horas, Chávez recebeu aplausos de um grupo de sindicalistas venezuelanos e de um grupo de empresários norte-americanos. O presidente da Progressive Asset Management, empresa que financia investimentos sociais, Eric Eerson, portando boné do MST, lembrou a Chávez que uma parcela do povo norte-americano é simpática ao governo venezuelano. Depois de nova rodada de conversas com jornalistas em que chegou a repreender seguranças que tentavam afastá-lo dos repórteres, Chávez subiu ao seu apartamento para descansar. Ao voltar, às 14h10, para uma reunião com representantes da Attac, já havia trocado a camisa amarela por uma verde, também de mangas compridas. O saguão do hotel já estava lotado e personalidades do Fórum Social Mundial, que deixaram o evento, para ver Chávez.

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