Neonazistas obtêm avanço e fazem ameaças

A crise e a frustração da população permitem que, pela primeira vez, um partido fascista chegue a um Parlamento na Europa em décadas. O partido Aurora Dourada conquistou na Grécia ontem 21 cadeiras do Parlamento.

GENEBRA, O Estado de S.Paulo

07 Maio 2012 | 03h01

O grupo que usa uma suástica adaptada como símbolo e não hesita em sugerir a volta dos campos de trabalhos forçados para imigrantes ganhou quase 7% dos votos, o dobro do que precisava para entrar no Legislativo.

Comemorando com uma marcha onde todos saíram de negro e com tochas, o grupo foi um dos que deram o maior salto no pleito em comparação às eleições de 2009, quando tiveram apenas 0,2% (cerca de 20 mil votos) de apoio. Ontem, com 50% dos votos apurados, o grupo já tinha mais de 200 mil eleitores. O movimento foi criado em 1993 por um militar da reserva que tinha Adolf Hitler como referência e dizia sentir saudades dos coronéis.

Na entrevista coletiva após o resultado. o partido exigiu que os jornalistas na sala se levantassem em respeito à liderança. Quem não seguiu a regra foi convidado a se retirar. Seu líder, Nikolaos Michaloliakos, falou ao lado de dois seguranças e seu discurso também foi intimidatório.

"Ninguém deve temer a mim se são bons cidadãos gregos. Mas se são traidores, ai já não sei", declarou. "Para aqueles que traíram o país, é o momento de terem medo. Estamos chegando", disse. O político garante que vai defender no Parlamento o fim do pacote de resgate e a austeridade, mas também a política para fechar as fronteiras aos imigrantes.

"Lutaremos para libertar a Grécia dos credores globais, por uma Grécia com dignidade e independente e por uma Grécia que não seja a selva social com esses milhões de imigrantes que foram trazidos para cá", alertou.

"O dia da revolução nacional dos gregos começou contra aqueles que estão nos vendendo e nos roubando", disse. "Eles tentaram nos silenciar. Mas nós vencemos", sentenciou. / J.C.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.