Neonazistas são eleitos para parlamentos regionais no leste da Alemanha

Apesar dos apelos à razão lançados pelos responsáveis políticos, sindicalistas e religiosos, os eleitores do estado de Mecklembourg-Pomerania Ocidental, situada no nordeste da Alemanha, enviaram ao parlamento regional seis representantes do principal partido neonazista da região. Nas eleições regionais deste domingo, o Partido Nacional Democrata (NPD) obteve 7,3% dos votos. A informação é do jornal francês Le Monde. O partido, que havia sido interditado há três anos, se aproveitou da descrença dos jovens face aos políticos tradicionais. O desemprego, que atinge 18% da população de Land, e a falta de perspectivas a curto prazo favoreceram o partido que, se não tem peso em nível federal, confirma sua capacidade de crescer em nível local na Alemanha oriental. As eleições regionais regularmente dão poder a extrema direita, representada nos últimos anos por mais partidos - Republicanos, União Popular alemã (DVU) e os neonazistas do NPD. O DVU, presente nos parlamentos regionais de Brandebourg, no leste, e de Brême, no oeste do país, obteve 12,9% dos votos em Saxe-Anhalt em 1998. O NPD é representado atualmente no parlamento do estado de Saxe, onde obteve 9,2% em 2004. A consternação era visível no domingo à noite em Schwerin, a capital regional de Mecklembourg-Pomerania Ocidental, um dos menores estados alemães com 1,7 milhões de habitantes. Alguns cidadãos se reuniram perante o Parlamento regional, no castelo de Schwerin, para demonstrar seu repúdio ao crescimento do NPD, que aumentou em 6,5 pontos em relação às eleições regionais anteriores. "É assustador. Isso me lembra do passado", afirmou Sabine Wegener, artista-fotógrafa de 63 anos. Juventude abandonada"Esse duro golpe irá nos unir", prometeu a presidente do Parlamento que perdeu seu cargo, a social-democrata Silvia Brettschneider. Seu partido é o principal perdedor da eleição, mesmo tendo obtido o melhor resultado. Com 30,2% dos votos, perdeu dez pontos percentuais em relação a 2002. Nessa região, o SPD governava havia oito anos, junto com o Partido de Esquerda, antigo Partido Comunista da Alemanha Oriental, que se manteve estável, com 16,8% dos votos. Em parte devido ao crescimento do NPD, não está excluída a possibilidade do SPD faça uma aliança com a União Cristã-Democrata (CDU), centro de uma "grande coalizão", que reproduzirá aquela que dirige, em nível federal, Angela Merkel. Eleita nesse estado, a primeira-ministra alemã não conseguiu vencer a CCDU regional, que obteve 28,8% dos votos, perdendo 2,6 pontos. "os partidos democráticos têm uma grande parcela de responsabilidade pelo crescimento do NPD", explicou Peter Deutschland, presidente do norte da Alemanha da Confederação dos Sindicatos (DGB). "Não adianta, antes de cada eleição, anunciar programas de investimento. É necessário sem fazer mais presente na ação diária próxima dos jovens".Nessa região de lagos e florestas, banhada pelo mar Báltico, o turismo não consegue sustentar toda a população. Prejudicados pelo êxodo dos mais qualificados em direção ao oeste da Alemanha, e pelo envelhecimento da população, os municípios não sabem o que fazer com os jovens desocupados. As paróquias, desertas, não cumprem com o papel social que poderiam ter. Nesse contexto, "os jovens, decepcionados, se viram para o NPD", constata Deutschland. O partido Nacional Democrata é composto por nostálgicos do nacional-socialismo que souberam adaptar seu discurso. Nessa região, onde menos de um por cento é de origem estrangeira, o ódio racial é relegado a segundo plano, em nome de uma crítica ao capitalismo e seus efeitos, constataram recentemente Hubertus Buchstein et Benjamin Fischer, pesquisadores da universidade de Greifswald.Desemprego, alta do preço de energia elétrica, e casos de corrupção: cartazes visíveis nas cidades e vilas falam das perdas da reunificação. No topo do NPD, Udo Pastors, joalheiro vindo do oeste, pode contar comajuda financeira vinda do estado de Saxe. A baixa participação nas eleições (60%) também agiu em seu favor.

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