Nepal destitui rei e proclama a República

Assembléia Constituinte termina com mais de dois séculos de monarquia

AP e Reuters

28 de maio de 2008 | 15h30

Os legisladores recém-eleitos do Nepal aboliram nesta quarta-feira, 28 , o regime monárquico de mais de dois séculos de existência e proclamaram a República.     Explosões atingem o Nepal antes do fim da Monarquia no país     A resolução foi tomada no primeiro encontro oficial da Assembléia Constituinte do país. Ainda não ficou claro qual o prazo que os deputados darão para que o rei Gyanendra deixe seu palácio, em Katmandu. O prédio deve se transformar em um museu, segundo declarou o ministro da Paz e Reconstrução, Ram Chandra Poudel.   A abolição da monarquia - uma das principais demandas da oposição maoísta que conseguiu a maioria das cadeiras nas eleições legislativas em abril deste ano - venceu por 560 votos a 4. Horas antes, supostos apoiadores do rei fizeram ataques com bombas caseiras na capital do país, ferindo uma pessoa.   Segundo a agência Reuters, milhares de nepaleses se reuniram nas partes históricas de Katmandu para comemorar o fim da monarquia. Entre eles, estavam centenas de militantes maoístas, que hoje fazem parte do maior partido da assembléia.   Os maoístas lideraram uma guerrilha contra a monarquia por mais de uma década. O conflito deixou pelo menos 13 mil mortos. Em 2006, eles assinaram um acordo em que se comprometiam a deixar as armas. O grupo de esquerda também abriu mão de muitos pontos de suas políticas, como a exigência da nacionalização dos meios de produção.   Misticismo real   O rei do Nepal é considerado uma das encarnações da divindade hinduísta Vishnu. Mas grande parte da mística que cercava a imagem do monarca foi destruída em 2001, depois que o príncipe-herdeiro Dipendra matou o rei Birendra, sua mãe e outros oito membros da família real, tentando o suicídio em seguida. O príncipe, que estava bêbado e havia consumido drogas, foi nomeado rei, mas acabou morrendo. Em 2005, o rei Gyanendra demitiu todos os membros do governo e assumiu o poder absoluto. Mas teve que voltar atrás depois de vigorosos protestos.

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