Nepal retira acusações de "terrorismo" e liberta rebeldes

O governo do Nepal libertou nesta terça-feira um total de 190 rebeldes maoístas depois de retirar as acusações de "terrorismo" apresentadas contra eles, informaram autoridades locais. A medida faz parte dos esforços em busca de um acordo de paz entre o governo e os insurgentes.O porta-voz do Ministério de Interior do Nepal, Daman Prasad Neupane disse que os 190 rebeldes libertados nesta terça-feira estavam detidos em nove diferentes penitenciárias do país.A libertação ocorre um dia depois de o governo ter anunciado que todas as pessoas detidas por acusação de terrorismo durante os 14 meses de regime absolutista do rei Gyanendra seriam libertadas.Entre os 190 libertados estão 61 rebeldes mantidos ao longo dos últimos meses na penitenciária de Nakhkhu, no extremo sul de Katmandu, a capital nepalesa.Familiares e simpatizantes esperavam pelos detentos anistiados em frente à penitenciária. Eles receberam os rebeldes com flores e um pó vermelho usado no Nepal para marcar ocasiões especiais.Ainda há cerca de 160 rebeldes mantidos em penitenciárias nepalesas. De acordo com a justiça local, todos serão libertados assim que os trâmites judiciais forem concluídos. Cada detento anistiado precisa de uma ordem de libertação específica.NegociaçõesO novo governo nepalês chegou a um acordo com os líderes rebeldes por meio do qual rebeldes indiciados por crimes menores seriam anistiados. As negociações de paz entre as partes começaram no mês passado.Os sete maiores partidos políticos do Nepal e os rebeldes maoístas uniram-se em sete semanas de protestos e greve geral que culminaram no fim do regime autocrático de Gyanendra.Desde então, o novo governo e os rebeldes respeitam um acordo de cessar-fogo para negociar o fim de um conflito iniciado há dez anos e que custou mais de 13 mil vidas.Os rebeldes nepaleses dizem encontrar inspiração no líder revolucionário chinês Mao Tsé-tung e lutar pelo fim da monarquia e o estabelecimento de um Estado socialista no Nepal.

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