Nepal troca greve por festa para comemorar vitória da democracia

Após mais de duas semanas de protestos no Nepal, os sete partidos da aliança de oposição decidiram suspender a greve geral prevista para esta terça-feira, por uma grande manifestação de vitória com a participação de milhares de pessoas em todo o país. A suspensão da paralisação foi decidida depois que o rei Gyanendra aceitou, na noite de segunda, o pedido de restaurar o Parlamento. Paralelamente, os sete partidos nomearam Girija Prasad Koirala, veterano presidente do principal partido do país - o Congresso Nepalês - candidato ao cargo de primeiro-ministro. Por sua vez, a guerrilha maoísta do Nepal anunciou em comunicado sua rejeição à restauração do Parlamento. As comemorações ocorrem depois de o monarca, em rede de televisão, anunciar que restaurará o Parlamento dissolvido em 2002, a principal reivindicação das lideranças de oposição. Poucas horas após o monarca convocar uma sessão do Parlamento para a sexta-feira, os telefones celulares voltaram a funcionar, outro sinal do fim da longa crise vivida por este país do sul da Ásia. As comunicações por telefonia celular foram suspensas pelo governo durante os últimos 19 dias, para tentar impedir as mobilizações convocadas pela oposição, para exigir a restauração da democracia. Rei manifesta pesar Em seu breve discurso, o rei Gyanendra anunciou a imediata restauração do Parlamento nepalês e, em contraste com o tom autoritário com que até agora se dirigia ao país, expressou seu pesar pela morte de manifestantes e solidariedade com as pessoas que foram feridas durante os protestos. Pelo menos 14 pessoas morreram e centenas ficaram feridas desde que, no último dia 6, a oposição iniciou a mais forte onda de manifestações nos cinco anos de reinado de Gyanendra. Maoístas Em comunicado, o líder dos maoístas, Pushpa Kamal Dahal, mais conhecido como Prachanda, acusou os partidos opositores de cometer "outro erro histórico". Segundo ele, a mensagem do rei foi "uma farsa" e anunciou que seu grupo continuará promovendo os bloqueios de estradas como medida de pressão. "Convocamos o bloqueio das estradas da capital e das principais cidades e povoados do país até que haja um anúncio incondicional de eleições para uma assembléia constituinte", indicou. "Nosso partido pede ao povo que continue com as manifestações pacíficas", acrescentou Prachanda. Segundo o líder maoísta, o rei "não cedeu aos temas colocados na rua a favor de uma assembléia constituinte e de uma República". "O anúncio de Gyanendra é uma conspiração para dividir o povo nepalês e salvar sua autocracia", conclui o comunicado dos insurgentes.

Agencia Estado,

25 Abril 2006 | 04h02

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