Nepaleses ignoram violência e vão às urnas

Os nepaleses foram ontem às urnas eleger uma Assembléia Constituinte, na esperança de levar adiante o processo de paz e estabelecer a democracia no Nepal. A maioria dos 18 milhões de eleitores não se intimidou com a violência dos últimos dias. Segundo as autoridades eleitorais, houve uma participação de 60%.O chefe da Comissão Eleitoral, Bhoj Raj Pokharel, disse que a votação foi ''realizada em paz em todo o país'', com exceção de ''alguns incidentes'', que resultaram na morte de três pessoas.O candidato independente Sambhu Prasad Singh foi morto a tiros 15 minutos antes do fechamento dos colégios eleitorais em Sarlahi, na região de Terai, onde grupos da etnia madheshi pediram o boicote à eleição. Outra pessoa morreu na mesma região durante confronto entre simpatizantes do governista Partido do Congresso e do Foro pelos Direitos do Povo Madheshi. Após o fechamento das urnas, outra pessoa foi morta a tiros pela polícia, que tentou evitar o roubo de urnas em Siraha, também em Terai.As históricas eleições, as primeiras desde 1999, fazem parte do acordo de paz que o governo do primeiro-ministro Girija Prasad Koirala assinou em novembro de 2006 com os rebeldes maoístas, pondo fim a uma década de guerra que deixou 13 mil mortos. Os resultados da votação serão divulgados dentro de dez dias. A Constituinte de 601 membros deverá, na nova Carta, ratificar o fim dos 238 anos de monarquia no país, como foi acertado entre os negociadores do acordo de paz.''Para o processo de paz ser levado adiante, todos os partidos precisam aceitar os resultados eleitorais e trabalhar para construir um novo Nepal'', disse ao Estado o nepalês Keshav Bhattarai, professor da Universidade de Missouri. ''No entanto, alguns líderes de partidos disseram que, se eles não vencerem, significará que as eleições não foram justas.''ALERTAEm um relatório divulgado recentemente, o instituto de estudos International Crisis Group, de Bruxelas, alertou que o comportamento dos perdedores será determinante no futuro imediato. Esses perdedores podem incluir os ex-rebeldes maoístas - que, segundo pesquisas, devem ficar atrás de grupos tradicionais, como o Partido do Congresso e o Partido Comunista.A missão de paz da ONU afirmou que os maoístas foram os responsáveis por grande parte da violência e intimidação dos últimos dias. Apesar de os 20 mil guerrilheiros terem deposto armas como parte do acordo de paz, teme-se um novo período de instabilidade.ANGELA PEREZ, COM AP E EFE

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