Amul Thapa/Kathmandu Today/AP
Amul Thapa/Kathmandu Today/AP

Nepaleses se apegam a milagres na busca por sobreviventes

Jovem de 15 anos foi resgatado após cinco dias do desastre e bebê de 4 meses sobreviveu preso em uma viga de madeira da sua casa

Lisandra Paraguassu, enviada especial / Katmandu, O Estado de S. Paulo

30 de abril de 2015 | 12h52

KATMANDU - Cinco dias depois do terremoto que devastou seu país, os nepaleses se apegam aos milagres diários dos sobreviventes. Nesta quinta-feira, 30, o adolescente de 15 anos Pema Lama foi encontrado vivo em um prédio em Katmandu. Na quarta, um homem de 28 anos e um bebê de 4 meses também foram retirados de escombros.

O número de vítimas, no entanto, continua aumentando e chegou a 5.844 nesta quinta, com outros 11,5 mil feridos. Apenas em Katmandu, 130 mil casas teriam sido afetadas.


O jovem Pema foi retirado no final da manhã dos escombros por uma equipe de resgate formada por nepaleses e americanos e levado ao hospital do campo israelense. De acordo com a imprensa local, o adolescente estava entre dois andares do edifício onde morava e sobreviveu tomando água da chuva que pingava próximo de onde estava.

O bebê Sonit Awal, de quatro meses, foi resgatado após mais de 20 horas soterrado. O fotojornalista do KathmanduToday.com Amul Thapa registrou o momento do resgate. Sonit estava com as bochechas cobertas de poeira de concreto, uma mão fechada e a outra sobre o rosto.

A irmã de nove anos de Sonit estava cuidando dele quando ocorreu o terremoto e conseguiu escapar. Os pais não estavam em casa.

Quando Thapa escutou o choro de Sonit, o bebê estava preso em uma viga de madeira. "Aquela viga suportava tudo, movimentá-la podia significar mais desmoronamento", lembra o fotojornalista, que acompanhou o trabalho das equipes de resgate.

Mas, com quase uma semana do terremoto de 7,8 graus que devastou o país, as esperanças de encontrar novos sobreviventes são cada vez menores. Equipes nepalesas e estrangeiras continuam o trabalho de remexer os entulhos, mas o governo do país começa o trabalho de reabrir ruas bloqueadas pela queda de casas na capital e tenta remover os entulhos. Na sexta, as equipes tentarão reabrir as rotas de trilha do monte Everest, onde ocorreu uma avalanche após o terremoto.

Com os tremores cada vez menores, a maior parte das famílias começa a deixar as dezenas de acampamentos pela cidade e voltar para suas casas. Sobram os que não têm mais para onde voltar e os que preferem ir para suas cidades de origem, mas ainda não conseguiram em razão da falta de transporte. Nesta quinta, mais lojas reabriram, especialmente nas áreas turísticas.

Aos poucos, os olhos e as atenções se voltam ao interior do país, onde o estrago causado pelo terremoto pode fazer com que o número de mortos passe dos 10 mil. No entanto, vários vilarejos no distrito de Ghorka, próximo ao epicentro, ainda estão inacessíveis.

Brasileiros. Os últimos brasileiros que estavam presos fora de Katmandu começaram a chegar à capital e já estão voltando ao Brasil. Um grupo que estava em Lukla, cidade que dá início às trilhas do Himalaia, começou a sair na quarta da cidade, quando o aeroporto reabriu. Nesta quinta, 21 voos saíram da cidade. Também chegou a Katmandu um grupo de 12 brasileiros que estava em Pokhara - a metade embarcou nesta quinta de volta ao Brasil.

De acordo com a embaixada brasileira no Nepal, nenhum brasileiro deixou de ser localizado pelos diplomatas que, entre outras medidas, usaram as redes sociais e deixaram cartazes nos hotéis com telefones de contato e outras medidas de emergência. Desde terça-feira, o aeroporto de Katmandu está tranquilo, com vários voos saindo sem atraso.

Preocupados com a situação no Nepal, muitos turistas brasileiros decidiram ficar no país para tentar ajudar, o que a embaixada não recomenda. Os diplomatas lembram que a expectativa é de que comece uma onda de epidemias causadas pela falta de água potável e saneamento. Além disso, os diplomatas dizem que sem uma organização de ajuda humanitária, os bem-intencionados podem terminar atrapalhando os trabalhos. /Com AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.