Nestlé nega ter exigido dinheiro do governo etíope

A empresa multinacional de alimentos e bebidas Nestlé negou estar exigindo milhões de dólares do governo etíope, e alegou que as acusações são erradas e enganadoras. Jornais britânicos e suíços publicaram ontem que a Nestlé pretendia obrigar a Etiópia a pagar US$ 6 milhões em compensações por uma companhia local, estatizada compulsoriamente. O governo etíope teria oferecido US$ 1,5 milhão, segundo os jornais. "Não estamos exigindo dinheiro do governo da Etiópia, como foi sugerido pela imprensa", disse o porta-voz da Nestlé François Perroud à ?Dow Jones Newswires?. Perroud confirmou que a Nestlé está em contato com o governo etíope para resolver o assunto. Perroud disse que as negociações sobre a compensação estão sendo patrocinadas pela Agência Multilateral de Garantia de Investimentos (Miga), órgão ligado ao Banco Mundial. A Miga ajudou a captar investimentos estrangeiros para a Etiópia, devastada durante os 27 anos do reinado de Haile Maria Mengistu, encerrado em 1991. "Estamos tentando ajudar a Etiópia a atrair investidores estrangeiros, como a Nestlé", disse Luis Dodero, um funcionário da Miga, à Dow Jones. Mas antes que qualquer investimento estrangeiro possa ser efetuado, a Etiópia precisa resolver a questão da compensação às empresas nacionalizadas em 1975, disse Dodero. Segundo ele, todos os pedidos de indenização somados beiram os US$ 500 milhões, e mais de 40 partes estão envolvidas nas negociações. Dodero diz ainda que o pedido de compensação da Nestlé é pequeno, se comparado a outros. A Etiópia, um dos mais pobres países do mundo, é gravemente castigada há anos pela fome e a desnutrição.

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