Néstor Kirchner deu início a uma nova era na política argentina

Ex-presidente, morto aos 60 anos, era cotado para disputar a Presidência em 2011.

BBC Brasil, BBC

27 de outubro de 2010 | 14h12

Kirchner era cotado para disputar a presidência em 2011

O ex-presidente argentino Néstor Kirchner, que morreu nesta quarta-feira aos 60 anos, era considerado por analistas um dos nomes mais influentes da política argentina.

Quase desconhecido antes de sua eleição, em 2003, ele se converteu não só em presidente, mas em líder latino-americano e figura-chave do movimento peronista.

Kirchner deu início à chamada "era K", que começou com seu mandato, em 2003, e continua até hoje, liderada por sua mulher e atual presidente, Cristina Fernández de Kirchner.

Néstor Carlos Kirchner Ostoic nasceu em 1950 na cidade de El Calafate (província de Santa Cruz), na Patagônia argentina. Ele entrou no Partido Justicialista (PJ, peronista) ainda nos anos 1970, quando era dirigente estudantil na Universidade de La Plata (onde formou-se em Direito, em 1976).

Foi lá que conheceu Cristina Fernández, sua futura mulher. Ambos se casaram em 1975 e tiveram dois filhos: Máximo, nascido em 1977, e Florencia, em 1990.

Em 1976, Kirchner e sua mulher se mudaram para Río Gallegos, capital de Santa Cruz, onde trabalharam em um escritório de advocacia até 1983. Ele foi prefeito da cidade entre 1987 e 1991. Entre 1991 e 2003, foi governador de Santa Cruz.

Sua candidatura a presidente veio depois de um período de crise e instabilidade política na Argentina, iniciado com a renúncia de Fernando de La Rúa, em 2001.

Eleito em 25 de maio de 2003, derrotando o ex-presidente Carlos Menem, Kirchner recebeu o país das mãos de Eduardo Duhalde, que renunciou antes de completar o mandato inconcluso de De la Rúa.

Economia e direitos humanos

Sua Presidência se caracterizou pela relação tensa com o Fundo Monetário Internacional (FMI), pelo crescimento da economia, pela redução da pobreza e do desemprego e por sua forte atuação pelos direitos humanos.

Por duas vezes, Kirchner convenceu o Congresso a rejeitar leis de anistia que protegiam oficiais militares acusados de abusos durante a ditadura (1976-1983).

Seu estilo, marcado pelo confronto e pela concentração de poder, teve grande apoio popular, mas fez com que opositores o rotulassem de "populista".

Já sua atuação em termos de relações exteriores - com ataques aos Estados Unidos e a aproximação ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez - rendeu críticas da mídia internacional, feitas por publicações como o jornal americano The Wall Street Journal e pela revista britânica The Economist.

No âmbito local, o presidente teve brigas constantes com a imprensa, principalmente depois que foi alvo de denúncias de enriquecimento ilícito.

Depois da Casa Rosada

Kirchner deixou a Casa Rosada em dezembro de 2007, sendo sucedido por Cristina.

No entanto, dada a sua liderança, o ex-presidente era visto por muitos como o "poder paralelo" em ação durante a Presidência de sua mulher.

Ele era considerado um dos nomes mais fortes para concorrer à sucessão de Cristina e voltar à Casa Rosada na eleição presidencial de outubro de 2011.

Em 2009, Kirchner foi eleito deputado federal - seu mandato iria até 2013.

Em maio deste ano, ele assumiu o cargo de secretário-geral da Unasul (União dos Países Sul-Americanos), reforçando sua influência em nível regional.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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