Néstor Kirchner vota e defende governo de Cristina

O ex-presidente Néstor Kirchner, candidato a deputado pela Província de Buenos Aires, votou esta manhã em um dos colégios de Vicente Lopéz, perto da residência oficial de Olivos, onde vive com a presidente, a esposa Cristina Kirchner. Vestido informalmente com um casaco de couro, Néstor Kirchner fez fila como os demais eleitores, mas praticamente não teve de esperar muito tempo para votar. Mesmo assim, ele teve tempo para conversar discretamente com os eleitores na fila, respeitando a lei que proíbe a campanha política nesse dia.

MARINA GUIMARÃES, Agencia Estado

28 de junho de 2009 | 10h34

Na saída, Kirchner deu uma rápida entrevista à imprensa, na qual destacou a importância das eleições e voltou a indicar que está em jogo o modelo econômico do país. As eleições parlamentares que acontecem hoje são consideradas um plebiscito da gestão de sua esposa e do modelo de governo iniciado por ele, em maio de 2003. "Vivo esta jornada cívica como um bom democrata, como todos os argentinos. É muito importante. Argentina está diante de uma instância decisiva: a consolidação da transformação, da mudança no país", afirmou, ressaltando que vai passar o resto do dia em casa, com a família. "Vou esperar Cristina regressar de Santa Cruz, onde vota, depois vamos almoçar em família, como sempre", disse. Kirchner destacou ainda que sua mensagem "é de amor, de convivência e de que seguimos construindo a Argentina".

O ex-presidente disputa uma vaga no distrito eleitoral mais importante do país, a província de Buenos Aires (que não inclui a cidade do mesmo nome, a capital federal). Com 37% dos votos de todo o país, a Província de Buenos Aires define o poder no país.

Em sua campanha eleitoral, o candidato e sua esposa deram o tom de um plebiscito às eleições durante seus inúmeros discursos. "Existem dois modelos em jogo e os argentinos devem escolher: ou aprofundamos as mudanças realizadas pela presidente Cristina Kirchner ou voltamos ao inferno da crise de 2001", costumam afirmar. Segundo o casal presidencial, ou eles ganham as eleições parlamentares, ou o país voltará ao caos da crise econômica e política.

A apuração dos votos irá revelar as duas incógnitas políticas vitais para os próximos meses. Uma delas é com que poder o governo de Cristina vai poder contar para administrar o país em crise e quais os políticos que vão permanecer ao seu lado. Com estas definições, Néstor também vai saber se tem condições de continuar na corrida presidencial até 2010.

Néstor compete diretamente com o milionário empresário e deputado Francisco De Narváez, um peronista dissidente que formou uma aliança com o Proposta Republicana (PRO), partido de centro-direita liderado pelo prefeito da cidade de Buenos Aires, Mauricio Macri, com claras intenções de ser candidato à Presidência em 2010.

As pesquisas apontam para uma disputa acirrada entre Néstor e Francisco, mas ambos seriam eleitos hoje. A questão é quantos deputados cada um deles vai poder eleger para apoiá-lo no Congresso argentino. A votação deste domingo vai decidir a composição do Congresso a partir de dezembro, quando assumem os cargos, e quem serão os "presidenciáveis".

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