REUTERS/Kacper Pempel/files
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Neta de sobreviventes do Holocausto rouba peças de Auschwitz

Entre outros objetos, artista roubou pedaços de vidro, pequenas tigelas, um parafuso, terra e um cartaz que pede aos visitantes para não levarem nada do local

O Estado de S.Paulo

19 Julho 2017 | 16h06

JERUSALÉM - A estudante israelense Rotem Bides, neta de sobreviventes do Holocausto, recebeu críticas ao roubar peças do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, na Cracóvia (Polônia), para utilizá-las em um projeto artístico.

"Senti que era algo que eu tinha de fazer (...) Me preocupa que, depois que todos os sobreviventes já se foram, o Holocausto se transforme em um mito", apontou a estudante da faculdade de arte de Beit Berl, de 27 anos, ao jornal Yediot Aharonot, que divulgou a história nesta semana.

Entre outros objetos, Rotem roubou do campo de concentração (onde morreu mais de um milhão de judeus durante a 2ª Guerra) pedaços de vidro, pequenas tigelas, um parafuso, terra e um cartaz que pede aos visitantes para não levarem nada do local, que atualmente abriga um museu.

Após se dar conta do roubo, o museu afirmou que apresentará uma denúncia perante o Ministério Público da Polônia, enquanto a escola de arte retirou o projeto de exposição, convocou a aluna para uma reunião disciplinar e divulgou uma nota na qual condena sua conduta e sua "insensibilidade".

Rotem visitou Auschwitz-Birkenau em seis ocasiões, de onde saiu com vida um de seus avôs, disse.

A estudante reconhece estar consciente de ter violado a lei, mas questiona se deveria respeitar as normas de um lugar onde as normas mais básicas foram violadas massivamente.

"Milhões de pessoas foram assassinadas de acordo com as leis de determinado país, sob um determinado regime. E, se essas são as leis, eu posso ir ali e agir de acordo com minhas próprias leis. O que estou dizendo é que as leis são determinadas pelos humanos e a moralidade é algo que muda de um tempo para outro e de uma cultura para outra", afirmou.

O museu qualificou os fatos de "dolorosos e escandalosos" e lembrou que se trata de um local protegido que serve de testemunho da tragédia do Holocausto e da 2ª Guerra que deve ser preservado para as próximas gerações.

"É difícil imaginar que o roubo possa se justificar de algum modo, nem sequer através da arte", apontou em um comunicado, no qual acusa a estudante de "buscar publicidade".

No entanto, o museu ainda não confirmou se as peças pertencem a Auschwitz, como afirma a estudante. / EFE

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