Shawn Thew/Efe
Shawn Thew/Efe

Netanyahu afirma no Congresso dos EUA que não desocupará Cisjordânia

Em discurso ovacionado por democratas e republicanos, premiê reconhece que deverá ser ''generoso'' na concessão de território aos palestinos, mas exige que Israel mantenha parte dos assentamentos e presença militar no Vale do Rio Jordão

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

Aplaudido por republicanos e democratas, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin "Bibi" Netanyahu, descartou ontem, em discurso no Congresso dos EUA, a possibilidade de negociar com um governo do qual faça parte o Hamas e estabelecer um Estado palestino nas fronteiras pré-1967.

O líder israelense insistiu ainda que Jerusalém não será dividida, os refugiados palestinos precisarão de uma solução fora das fronteiras de Israel e o Estado judeu manterá presença militar no Vale do Rio Jordão. "Se voltássemos às fronteiras de 1967, Israel teria apenas 15 quilômetros de largura", disse o premiê. "Milhões de judeus vivem há décadas em assentamentos que ficarão foram de Israel, algo que meu país não está disposto." Para autoridades palestinas, o discurso de Bibi foi uma "declaração de guerra" (mais informações nesta página).

O discurso foi feito menos de uma semana após o presidente dos EUA, Barack Obama, ter delineado seus parâmetros para as negociações ao se dirigir ao mundo árabe. Segundo Obama, as divisões pré-1967 devem servir de base para as fronteiras do futuro Estado palestino, com os ajustes necessários que levem em consideração as mudanças demográficas dos últimos 44 anos.

Na sexta-feira, Netanyahu criticou as propostas do presidente americano. No domingo, após Obama explicar melhor seu plano na Aipac, o mais poderoso lobby pró-Israel dos EUA, o premiê adotou um tom mais conciliatório e ontem tentou evitar confrontos com a Casa Branca.

No seu pronunciamento, Netanyahu admitiu, pela primeira vez, que alguns assentamentos talvez fiquem de fora das fronteiras de Israel caso haja um acordo com os palestinos. "Precisamos ser honestos. Em qualquer acordo de paz que encerre esse conflito, alguns assentamentos ficarão de fora das fronteiras de Israel. As linhas exatas precisam ser negociadas."

Segundo o premiê, a opção pela paz está nas mãos do presidente palestino, Mahmoud Abbas. "Eu disse ao meu povo, e não foi fácil, que aceitava o Estado palestino. Agora, chegou a vez de Abbas dizer ao seu povo: "Eu aceito o Estado judaico"", disse.

O líder palestino já reconheceu Israel no passado, mas nunca como Estado judaico. Na avaliação dele, isso iria contra a minoria árabe cristã e muçulmana de Israel, além de ser uma abdicação do direito de retorno dos refugiados palestinos.

Ao longo de seu discurso, no qual há uma defesa quase unânime de Israel, Netanyahu elogiou a atual administração palestina, citando a evolução econômica da Cisjordânia, a modernização das cidades e deu a entender que considera o premiê palestino, Salam Fayyad, que se recupera de um ataque cardíaco, um parceiro nas negociações.

Já o Hamas, afirmou o premiê, "não é um parceiro para a paz". Para Netanyahu, a facção islâmica está comprometida "com o terrorismo e a destruição de Israel". "Eu disse ao presidente Abbas para romper com o Hamas. Sente-se e negocie. Faça a paz com o Estado judeu. Se você fizer, prometo que Israel não será o último país a reconhecer o Estado palestino como novo membro da ONU. Será o primeiro."

Além de falar do conflito com os palestinos, Netanyahu insistiu no perigo que o Irã representa para a região e disse apoiar os levantes por democracia no mundo árabe, apesar de o egípcio Hosni Mubarak, que foi derrubado pelos protestos, ter sido aliado de Israel. / COM AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.