Netanyahu chega a acordo sobre novo gabinete israelense

Ortodoxos ficarão de fora do governo pela primeira vez em 10 anos; discórdia sobre nomes de cargos adia anúncio oficial

TEL-AVIV, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2013 | 02h09

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, conseguiu ontem formar uma coalizão governista que deve lutar contra os privilégios dos ultraortodoxos e pode voltar à mesa de negociações com os palestinos. No entanto, desavenças no último minuto sobre o nome dos cargos que aliados ocupariam adiaram o anúncio oficial para segunda-feira.

Pela primeira vez em dez anos, os partidos ortodoxos da Knesset (Parlamento) estarão na oposição em Israel. O governo Netanyahu contará com duas jovens estrelas em ascensão: Naftali Bennett, radical de direita líder do partido Bait Yehudi (Casa Judaica), e Yair Lapid, do centrista laico Yesh Atid (Há Futuro). Ambos prometem tornar universal o serviço militar obrigatório - hoje, jovens ultraortodoxos conseguem isenção das Forças Armadas.

Segundo o jornal Haaretz, os partidos de Bennett e Lapid se irritaram com o fato de Netanyahu não ter desistido de nomeá-los vice-primeiros-ministros. No sistema político israelense, é possível existir, simultaneamente, vários com esse cargo - em seu último mandato, Netanyahu teve três vices. Desta vez, porém, o premiê quer extinguir o posto.

"O próximo mandato será um dos mais desafiadores da história do Estado de Israel", disse ontem Netanyahu, na cerimônia em que deveria anunciar a formação do gabinete. "Enfrentamos enormes desafios de segurança e diplomacia."

Outra novidade será o tamanho mais reduzido do governo israelense. Em seu último mandato, Netanyahu teve 30 ministros - os cargos eram usados como moeda de troca para assegurar a lealdade dos aliados. O novo gabinete, porém, terá 21.

A coalizão governista reunirá 68 dos 120 integrantes do Parlamento, uma margem estreita. O governo terá líderes com posições diametralmente opostas em assuntos-chave: com apoio de Lapid, a ex-chanceler Tzipi Livni exige o retorno imediato às negociações com a Autoridade Palestina, enquanto Bennett - ex-líder da maior associação de colonos do país - promete que "um Estado palestino jamais se tornará realidade". Livni deverá ser nomeada chefe das negociações.

A expectativa é a de que Lapid seja ministro das Finanças, com ampla influência sobre o orçamento. Seu partido também chefiará o Ministério da Educação. Em posição de força, ele deverá fazer frente aos privilégios dos ortodoxos. Defensor da ocupação israelense da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental, Bennett deverá receber o Ministério da Habitação, escolha que já vem causando protestos. / AP

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