Abir Sultan / EFE
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Netanyahu oferece governo de união em Israel, mas Gantz rejeita oferta

Ex-general, cujo partido Azul e Branco lidera a apuração da votação legislativa, disse que ele próprio vai comandar um governo de unidade 'liberal'; nenhuma das duas principais formações reunirá as 61 cadeiras necessárias para governar

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2019 | 04h48
Atualizado 19 de setembro de 2019 | 12h01

JERUSALÉM - O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, pediu nesta quinta-feira, 19, a seu principal adversário, o ex-general Benny Gantz, a formação de um governo de união, dois dias após as eleições legislativas que terminaram empatadas, mas a oferta foi rejeitada de imediato pelo partido do ex-comandante militar.

"Durante a campanha defendi a formação de um governo de direita. Infelizmente, os resultados das eleições mostram que não será possível. Por este motivo, a única opção é formar um governo de união, tão amplo quanto possível", afirmou Netanyahu em um vídeo.

Os resultados provisórios das eleições mostram que o Likud, partido de Netanyahu, conquistou 32 cadeiras das 120 no Knesset, o Parlamento israelense. O partido de Gantz, o Azul e Branco, conseguiu 33. Nenhuma das duas formações terá condições de reunir as 61 cadeiras necessárias para governar, mesmo com o apoio dos aliados. 

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"Benny, temos que colocar em prática um governo de união. O povo espera que assumamos nossas responsabilidades e cooperemos", completou Netanyahu, em uma mensagem que provocou surpresa no país.

"Por isso que peço a você, Benny. Vamos nos reunir ainda hoje, a qualquer hora, impulsionar este processo que é urgente. Não temos o direito de caminhar para a terceira eleição. Sou contra. A agenda agora é um governo de união", insistiu o premiê.

Resposta de Gantz

Em suas primeiras declarações desde a oferta de Netanyahu, Gantz não mencionou o primeiro-ministro e disse que ele próprio vai comandar um governo de unidade “liberal”. O processo, no entanto, pode levar semanas.

"Os israelenses querem um governo de unidade (...). Vou formar esse governo comigo à frente", disse o líder do partido Azul e Branco antes de uma reunião com executivos de sua formação. "Vamos ouvir a todos, mas não aceitaremos que nos ditem as coisas", ressaltou.

"O partido Azul e Branco venceu e no momento em que estou conversando com vocês, temos 33 cadeiras, enquanto Netanyahu não conseguiu a maioria para formar uma coalizão como esperava", afirmou ainda o ex-chefe de gabinete do Exército israelense.

Gantz deixou para Moshe Yaalon, um de seus colegas de partido, anunciar uma firme negativa à oferta de Netanyahu, citando acusações de corrupção contra o premiê. “Não entraremos em uma coalizão liderada por Netanyahu”, disse.

Netanyahu disse estar “surpreso e desapontado”, e reiterou sua oferta a Gantz. Em comentários subsequentes feitos em uma cerimônia, à qual Gantz também compareceu, que marcava o terceiro aniversário da morte do estadista israelense Shimon Peres, Netanyahu disse que a oferta não tem precondições.

As campanhas de Netanyahu, de 69 anos, e Gantz, de 60 anos, só revelaram diferenças pequenas em muitas questões importantes, e o fim da era Netanyahu dificilmente provocaria mudanças consideráveis nas políticas relativas aos Estados Unidos, à luta regional contra o Irã ou ao conflito com os palestinos.

Impasse

O presidente Reuven Rivlin, altamente respeitado em Israel em seu cargo essencialmente simbólico, disse ter saudado o pedido de união de Netanyahu. Pela lei israelense, cabe a Rivlin escolher um líder partidário para tentar compor um governo após o encerramento da contagem de votos.

"Farei tudo o que puder para evitar outra eleição geral. Mas a responsabilidade por isso, bem como a responsabilidade de formar um governo que sirva para todos os cidadãos de Israel com a dedicação que merecem, é deles: das autoridades eleitas e, principalmente, dos líderes dos dois principais partidos".

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As eleições de terça-feira foram convocadas porque, depois das legislativas de abril, Netanyahu não conseguiu formar uma coalizão para governar e o Parlamento foi dissolvido.

A mudança no discurso do premiê é notável. Na quarta, ele afirmou que o país tinha duas opções: um governo de direita comandado por ele ou um "governo perigoso que se apoie nos partidos árabes", um ataque indireto a Gantz, que se declarou disposto a negociar com as formações árabes, terceiro grupo mais votado, com a esperança de estabelecer uma coalizão. / REUTERS, AFP e EFE

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