EFE/EPA/ATEF SAFADI
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Netanyahu declara vitória em Israel após pesquisa boca de urna

Levantamento aponta que o partido do primeiro-ministro foi o mais votado, o que pode dar fim ao bloqueio político no país

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2020 | 06h19

JERUSALÉM - O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, comemorou nesta terça-feira, 3, o que considerou uma "vitória gigantesca" e "contra todas as previsões". Netanyahu declarou vitória após pesquisas boca de urna apontarem que a coalizão montada pelo seu partido, Likud, pode atingir 59 cadeiras no Knesset, o Parlamento do país, algo muito próximo às 61 necessárias para ter maioria. O resultado oficial deve ser divulgado ainda nesta terça.

"Lembro da nossa primeira vitória, em 1996, mas esta noite a vitória é maior ainda, porque foi contra todas as previsões", declarou Netanyahu, encantado por frustrar os que previram o fim da era Netanyahu em Israel. "É a vitória mais importante da minha vida", declarou aos partidários.

Em sua primeira declaração pública, o premier garantiu que o período eleitoral está finalizado e falou em unir o país. "Chegou a hora de votar e formar um governo (...). Serei o primeiro-ministro de todos os israelenses, é hora de união." 

As pesquisas de boca de urna atribuem ao Likud, de Netanyahu, entre 36 e 37 cadeiras, contra entre 32 e 34 para o partido Azul e Branco, liderado pelo general Benny Gantz. Com seus aliados da direita radical e dos partidos judeus ultraortodoxos, o Likud pode somar 59 cadeiras, ficando muito próximo das 61 de maioria parlamentar.

Com a votação, buscava-se o fim da crise política mais importante do Estado hebreu após as votações de abril e setembro de 2019, em que o Likud, de Netanyahu, e o Azul e Branco, de Gantz, ficaram muito igualados. 

Denúncia de corrupção

Desde as últimas eleições o país registrou uma mudança importante: a acusação contra Netanyahu (70 anos), que se tornou em novembro o primeiro chefe de Governo na história de Israel a ser indiciado, concretamente por corrupção, fraude e abuso de confiança.

O julgamento do primeiro-ministro, por corrupção, malversação e abuso de poder, está marcado para 17 de março.

Decepção da oposição

Principal adversário de Netanyahu na interminável corrida eleitoral do último ano, o general Benny Gantz afirmou estar decepcionado com os resultados obtidos por seu partido.

"Compartilho os sentimentos de decepção e dor de vocês. Esperávamos um outro resultado", declarou Gantz, líder do partido de centro Azul e Branco, para seu partidários em Tel-Aviv.

"Mas é preciso olhar o copo meio cheio. Criamos algo maravilhoso chamado Azul e Branco e continuaremos porque não desistiremos dos nossos valores", declarou o ex-chefe do Estado-Maior do Exército israelense.

Voto árabe

Netanyahu tem o apoio dos partidos judaicos ultraortodoxos Shas, que capta boa parte dos votos sefardis (judeus orientais), Judaísmo Unido da Torá, dirigido principalmente aos ortodoxos ashkenazis (do leste da Europa) e da lista Yamina (direita radical), do atual ministro da Defesa Naftali Bennett.

O Azul e Branco tem o apoio dos partidos de esquerda que se uniram em apenas uma lista e poderia, talvez, receber o respaldo pontual da Lista Unida dos partidos árabes israelenses, que surpreenderam em setembro com o terceiro lugar, com 13 lugares, uma façanha eleitoral que pretendem superar agora.

"Dessa vez esperamos conseguir 16 (cadeiras)", disse Ayman Odeh, à frente da Lista Unida.

A Lista Unida tenta colher os frutos da frustração entre a minoria árabe israelense (20% da população) com o plano apresentado pelos Estados Unidos para solucionar o conflito israelense-palestino, um projeto aplaudido por Israel e rejeitado pelos palestinos.

Neste contexto, o partido Israel Beitenu, que não simpatiza com nenhum dos grandes blocos, pode ser o fiel da balança. Seu líder Avigdor Lieberman é um nacionalista laico hostil aos partidos árabes e judeus ortodoxos.

O plano do presidente Donald Trump prevê a conversão de Jerusalém na capital "indivisível" de Israel e a transferência do controle de uma dezena de vilarejos e localidades árabes israelenses a um futuro Estado palestino

Netanyahu centrou a campanha no plano de Trump, prometendo a rápida anexação do vale do Jordão e de colônias israelenses na Cisjordânia, território palestino ocupado por Israel em 1967, como contempla o projeto americano.

Gantz, que também apoiou o projeto americano, baseou a campanha nos problemas judiciais do primeiro-ministro, que já governou o país durante 14 anos, os 10 últimos sem interrupção. /AFP

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