Netanyahu diz que irá à ONU barrar Palestina

Premiê israelense pretende discursar no mesmo dia que o representante palestino, Mahmoud Abbas

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

16 Setembro 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK - A uma semana da data prevista para os palestinos apresentarem o pedido de reconhecimento de seu Estado nas Nações Unidas, a Autoridade Palestina afirmou que seguirá adiante com esse objetivo, enquanto Israel tentará defender a sua posição na Assembleia-Geral. O representante israelense foi definido ontem: Benyamin Netanyahu espera discursar no mesmo dia que o representante palestino, Mahmoud Abbas.

 

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O ministro das Relações Exteriores palestino, Riyad al-Malki, disse ontem que Abbas, presidente da Autoridade Palestina, submeterá a o requerimento para a Palestina ser um Estado- membro das Nações Unidas em seu discurso no dia 23, mas estaria aberto a outras sugestões. "Veremos se alguém apresenta uma oferta crível que nos permita discutir seriamente entre as lideranças palestinas. Caso contrário, o presidente enviará o pedido no dia 23, às 12h30", disse o chanceler ontem.

Nessa mesma data, o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, também deve discursar na Assembleia-Geral da ONU. A decisão de enviar o primeiro-ministro, e não o presidente, Shimon Peres, foi tomada ontem. "A Assembleia-Geral não é um lugar onde Israel costuma ser ouvido. Mas eu decidi dizer a verdade diante dos que queiram escutar. Vou enviar a mensagem de que queremos negociações diretas imediatamente em busca da paz", afirmou Netanyahu, que rejeita as ambições palestinas de buscar a ONU unilateralmente.

Para serem aceitos como o 194.º Estado-membro das Nações Unidas, os palestinos precisam da aprovação do Conselho de Segurança e de dois terços dos votos na Assembleia-Geral. Os americanos já anunciaram que usarão o poder de veto no conselho.

Mesmo assim, a Autoridade Palestina insistirá nesse ponto pela questão simbólica de mostrar como os EUA estariam isolados nessa oposição. Com o veto, os palestinos levariam a questão para a Assembleia onde poderiam pedir a inclusão da Palestina como Estado observador não membro. Nesse caso, a aprovação do Conselho de Segurança é desnecessária.

Até agora, mais de cem países, incluindo Brasil e Rússia, declararam apoio à iniciativa dos palestinos, que precisam de pelo menos 129 votos. Segundo analistas, eles conseguirão chegar a esse número, mesmo sem o apoio de algumas das principais nações europeias, que ainda não adotaram uma posição.

Catherine Ashton, chefe da diplomacia europeia, tenta negociar um pacote com os palestinos em que aceitariam uma elevação de status de observador para algo próximo de um Estado não membro. Também não está descartada a hipótese de o Quarteto (EUA, Rússia, ONU e União Europeia) emitir um comunicado oficial delineando os parâmetros para a paz.

O enviado especial do Quarteto para o Oriente Médio, Tony Blair, apresentou um plano a israelenses e palestinos para que o diálogo seja retomado imediatamente e, se não houver avanço, o próprio secretário-geral da ONU apresentaria o pedido palestino no fim de dezembro. Nenhum dos lados respondeu. Uma das dificuldades agora seria, na avaliação de diplomatas em Nova York, Abbas recuar na iniciativa pela enorme pressão doméstica, pois os palestinos organizam várias manifestações para o dia do pedido.

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