Netanyahu diz que Israel irá buscar responsáveis por ataque na Cisjordânia

Atentado deixou quatro israelenses mortos e foi condenado pela Autoridade Palestina e pelos EUA.

BBC Brasil, BBC

31 de agosto de 2010 | 22h09

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou que seu governo irá agir "sem limitações diplomáticas" para encontrar os responsáveis pelo ataque que deixou quatro colonos judeus mortos na Cisjordânia nesta terça-feira.

O atentado, reivindicado por um braço armado do grupo militante palestino Hamas, ocorreu nas proximidades da cidade de Hebron apenas dois dias antes do início da retomada das negociações de paz entre israelenses e palestinos em Washington.

Dois homens e duas mulheres foram mortos, sendo que uma das vítimas estava grávida.

Por meio de um comunicado divulgado por seu porta-voz logo após sua chegada aos Estados Unidos, Netanyahu afirmou que o ataque mostra que Israel não deve ceder em relação a suas demandas de segurança.

"O primeiro-ministro instruiu as forças de segurança a agirem sem limitações diplomáticas para alcançar os assassinos e seus mentores", disse o porta-voz de Netanyahu.

"O primeiro-ministro dirá à secretária de Estado (Hillary Clinton) que este crime odioso prova a necessidade de apoiar as demandas de segurança de Israel e que não transigiremos em relação a elas".

"O terror não irá determinar as fronteiras de Israel ou o futuro dos assentamentos (judaicos)", disse o premiê, referindo-se a dois dos principais pontos de discordância entre israelenses e palestinos para um acordo de paz.

O primeiro-ministro da Autoridade Palestina, Salam Fayyad, também condenou o ataque e afirmou que ele "vai contra os interesses dos palestinos".

Já o governo dos Estados Unidos, que mediará as negociações de paz, afirmou condenar as mortes e pediu que israelenses e palestinos continuem "trabalhando para alcançar uma paz justa e duradoura na região".

Violência

O ataque ocorreu perto do vilarejo de Bani Naim, em uma estrada usada tanto por palestinos quanto por colonos judeus.

As quatro vítimas teriam sido mortas por atiradores que estavam em um carro.

Pouco depois, um porta-voz do Hamas afirmou que o ataque "é uma resposta natural aos crimes da ocupação" e um braço armado do grupo assumiu sua autoria.

Este foi atentado mais violento na Cisjordânia em quatro anos, quando um ataque suicida deixou quatro mortos em um assentamento.

Segundo Wyre Davies, repórter da BBC em Jerusalém, um ataque do tipo não era esperado e o incidente provavelmente irá causar tensão durante as negociações de paz desta semana.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, e o premiê israelense irão se encontrar na próxima quinta-feira com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, em Washington, nas primeiras negociações diretas entre as partes em quase dois anos.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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