Abir Sultan/Efe
Abir Sultan/Efe

Netanyahu diz que 'mau acordo' com Irã poderia levar a uma guerra

Para Israel, a proposta americana de aliviar as sanções iria reduzir a pressão sobre Teerã

O Estado de S. Paulo,

13 de novembro de 2013 | 18h12

JERUSALÉM - O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou nesta quarta-feira, 13, que um "mau acordo" entre as potências mundiais e o Irã sobre o programa nuclear iraniano poderia levar a uma guerra.

O governo israelense disse que a oferta dos EUA de uma "modesta" amenização das sanções iria, na verdade, neutralizar até 40% do impacto das sanções, reduzindo a pressão para Teerã abandonar o programa nuclear que o Ocidente e Israel acreditam ter a finalidade de construir uma bomba atômica.

Israel vem fazendo um lobby duro contra o acordo proposto que iria inicialmente oferecer alívio parcial das sanções em troca de algumas medidas do Irã para restringir suas atividades nucleares.

O Irã e as seis potências mundiais EUA, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Rússia e China não chegaram a um acordo em Genebra no sábado 9, mas as conversas devem ser retomadas em 20 de novembro, com ambos os lados dizendo que estão otimistas.

Os EUA e a União Europeia acreditam que Teerã queira desenvolver uma bomba nuclear e impuseram duras sanções contra os setores financeiro e de petróleo no ano passado que lhe causaram graves danos econômicos. O Irã afirma que seu programa nuclear é pacífico.

Dirigindo-se ao Parlamento israelense em Jerusalém, Netanyahu disse que a continuada pressão econômica sobre o Irã era a melhor alternativa a duas outras opções, que ele descreveu como um mau acordo e a guerra. "Eu chegaria a dizer que um mau acordo pode levar à segunda e não desejada opção."

Israel, apontado como a única potência nuclear no Oriente Médio, há tempos diz que se reserva o direito de usar a força para evitar que o Irã obtenha uma arma nuclear. Mas muitos especialistas militares duvidam que Israel tenha a capacidade de destruir as instalações nucleares do Irã sem a ajuda americana.

Washington diz ser importante buscar uma solução negociada, principalmente depois da eleição do iraniano Hassan Rohani, um presidente relativamente moderado, neste ano.

Os EUA dizem que qualquer mudança inicial nas sanções seria modesta e reversível, mas Israel diz que os benefícios ao Irã seriam maiores e que as medidas que Teerã tomaria pouco fariam para conter suas ambições.

Segundo o principal encarregado por Netanyahu para questões iranianas, o ministro das Questões Estratégicas, Yuval Steinitz, o pacote de alívio oferecido a Teerã poderia valer até US$ 40 bilhões. "Isso é muito significativo. Não são todas as sanções. Não são as sanções principais sobre exportações de petróleo e sistema bancário, mas é um alívio muito significativo para os iranianos."

Steinitz afirmou que Israel acreditava que as sanções colocadas em vigor pelos EUA e pela União Europeia no ano passado custaram à economia do Irã cerca de US$ 100 bilhões de dólares por ano, ou quase um quarto de sua produção. "O alívio das sanções vai reduzir diretamente entre US$ 15 bilhões e US$ 20 bilhões dessa quantia."/ REUTERS

 
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