Richard Drew/AP
Richard Drew/AP

Netanyahu diz querer negociações sem precondições com palestinos

Em entrevista à BBC, premiê israelense afirmou que o importante é retomar diálogo de paz

BBC

26 Setembro 2011 | 13h06

Texto corrigido às 19h56

 

JERUSALÉM - O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pediu que os palestinos concordem em negociar a paz na região sem impor condições prévias. "A ideia básica é começar as negociações sem condições prévias", disse Netanyahu em entrevista à BBC.

 

Veja também:

documento HOT SITE: A busca pelo Estado palestino

lista ENTENDA: O que os palestinos buscam na ONU

especialESPECIAL: As disputas territoriais no Oriente Médio

"Acho que há muitas pessoas por aí - palestinos, israelenses, pessoas no mundo árabe, pessoas além do mundo árabe - que estão nos pedindo para colocar mãos à obra. Desde o primeiro dia tenho pedido para negociar e espero que possamos chegar a este ponto", afirmou. Entre as condições impostas pelos palestinos para a retomada das negociações está o congelamento nas construções de assentamentos israelenses na Cisjordânia e a aceitação das fronteiras de 1967 como base para um eventual acordo.

A entrevista de Netanyahu foi concedida três dias depois de o presidente palestino, Mahmoud Abbas, ter feito o pedido formal pela criação do Estado palestino na ONU. No domingo, Abbas foi recebido como herói em Ramallah, Cisjordânia, ao voltar de Nova York.

 

Convite

 

Netanyahu também foi a Nova York para participar da Assembleia-Geral da ONU e, durante seu discurso, fez um convite para uma reunião com Abbas. Durante a entrevista, ele formalizou o convite. "Aqui está meu convite formal para a reunião: vamos nos sentar e falar de paz", disse. "Nos sentaremos, falaremos francamente, colocaremos todos os assuntos na mesa. Acho que é assim que isso vai se resolver: equilibrando as necessidades legítimas de segurança de Israel com as aspirações legítimas dos palestinos pela liberdade nacional", disse o premiê. "Acho que é possível. Não é fácil, mas não é impossível. Mas a única forma de isto acontecer é nos sentarmos para negociar. E eu sou o homem que pode fazer isto", acrescentou.

Na sexta-feira, o Quarteto para o Oriente Médio - grupo formado por Estados Unidos, União Europeia, Rússia e ONU - pediu a retomada imediata das negociações de paz entre Israel e a Autoridade Palestina. Em um comunicado, o Quarteto convida as duas partes a programar uma agenda que os ajude a alcançar uma solução integral ao final de 2012. Mas, ao ser questionado quanto a este cronograma, Netanyahu afirmou que não sabe se palestinos e israelenses poderão chegar a um acordo dentro de um ano. "Acho que as datas são o que menos importam", afirmou Netanyahu, insistindo que a ideia mais importante é começar as negociações.

'Percepção errônea'

Netanyahu também falou em uma "percepção errônea" do mundo árabe em relação a Israel. "Não creio que as pessoas entendam o quanto os israelenses estão sedentos pela paz", disse o premiê. Durante a entrevista, ele lembrou dos amigos que perdeu durante batalhas entre Israel e Egito, Israel e a Jordânia, do irmão morto em uma operação de resgate em Uganda e afirmou não querer a repetição de nada disso no futuro. "Devemos construir um futuro para nossos filhos e netos e para nós mesmos. Estou disposto a buscar a paz. É a única coisa que posso fazer. Mas, não posso fazê-lo através do que dita a ONU. Apenas posso conseguir isto me reunindo com Abu Mazen (Mahmou Abbas)", acrescentou.

Netanyahu disse que os dois lados vão conseguir "um Estado para os palestinos e segurança e reconhecimento para os israelenses". "Quando isto acontecer, Israel não será o último país a reconhecer o Estado palestino na ONU, será o primeiro", afirmou. 

BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.