Ronen Zvulun/Pool/AFP
Ronen Zvulun/Pool/AFP

Netanyahu é encarregado de formar governo de coalizão em Israel

Mandato se inicia no dia 13 de maio e pode representar o fim da crise política mais longa da história política de Israel

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2020 | 17h54

JERUSALÉM - O presidente israelense encarregou nesta quinta-feira, 7, o primeiro-ministro interino, Binyamin Netanyahu, de formar novo governo depois que o parlamento aprovou a coalizão com seu rival, Benny Gantz, com o que vislumbra o fim da crise política mais longa da história política do país.

Os partidos políticos de ambos já haviam definido a data de 13 de maio para iniciar esse governo.

Após intensos debates, que duraram até o final da quarta-feira, sobre emendas ao projeto, o acordo foi aprovado nesta quinta de manhã.

Havia pouca dúvida sobre o resultado, uma vez que o partido de direita Likud, de Netanyahu, e a legenda centrista Azul e Branco, do ex-chefe do Exército Benny Gantz, e seus respectivos aliados têm maioria no Parlamento.

"A sessão plenária do Knesset [Parlamento israelense] aprovou as emendas [ao projeto de governo de união] em segunda e terceira leituras. 71 deputados votaram a favor, e 37, contra", informou o Legislativo em um comunicado.

Na quarta-feira à noite, o Supremo Tribunal, ao qual recorreram várias organizações que questionavam a legalidade do acordo, aprovou a formação do governo.

Netanyahu permanece, porém, acusado de corrupção em vários casos e seu julgamento, adiado pela pandemia de coronavírus, deve começar ainda este mês.

"Não encontramos nenhuma razão legal para impedir que o primeiro-ministro Netanyahu forme um governo (...) mas essa conclusão a que chegamos não diminui as acusações contra o primeiro-ministro", disseram os juízes.

Projetos de anexação

Netanyahu e Gantz já anunciaram que apresentarão o novo governo em 13 de maio, no qual os ministérios serão igualmente divididos entre os dois campos.

Além de compartilhar o poder e manter Netanyahu no cargo de primeiro-ministro pelos próximos 18 meses, o governo terá de administrar a saída do confinamento e a reativação da economia israelense.

Também terá de dar detalhes sobre o projeto para anexar partes da Cisjordânia, ocupada por Israel.

Após meses de crise, Benny Gantz concordou em formar uma coalizão com Benjamin Netanyahu, apesar de seu indiciamento, para permitir o fim do bloqueio político em plena pandemia.

O novo coronavírus contaminou cerca de 16.000 pessoas no país, com 239 mortes, e disparou o desemprego, que pulou de 3,4% para 27%.

Netanyahu já anunciou a reabertura das escolas primárias, bem como a maioria dos comércios e empresas, que podem agora reunir até 50% de seus funcionários no mesmo local.

Além disso, milhares de palestinos retomaram seus trabalhos em Israel.

O acordo entre Netanyahu e Gantz também prevê anunciar, a partir de 1º de julho, um plano para lançar o projeto do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o Oriente Médio.

Este plano prevê a anexação do vale do Jordão, um território estratégico, e de colônias judaicas na Cisjordânia, ocupada desde 1967 por Israel.

A população das colônias da Cisjordânia subiu 50% na última década sob o impulso de Netanyahu, no poder sem interrupção desde 2009.

Hoje, mais de 450 milpessoas vivem nelas, espalhadas por 100 colônias, onde milhares de palestinos trabalham.

Os movimentos palestinos, tanto o Fatah do presidente Mahmoud Abbas quanto o Hamas, no poder em Gaza, opõem-se ao plano de Trump, que quer fazer de Jerusalém a capital indivisível do "Estado judeu" de Israel.

Ambos já qualificaram o novo governo de união como "governo de anexação".

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