Tara Todras-Whitehill/AP
Tara Todras-Whitehill/AP

Netanyahu é recebido com críticas em Israel

Para opinião pública, premiê não foi capaz de conter a estratégia palestina na ONU

Ethan Bronner, do The New York Times, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2011 | 00h00

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, voltou de Washington na quarta-feira e foi recebido com críticas pela opinião pública israelense. Apesar de sua enfática defesa dos interesses de Israel, as esperanças de que a visita dele pudesse avançar as negociações de paz com os palestinos foram esmagadas.

Uma das metas mais amplamente articuladas de sua viagem, na qual ele se reuniu com o presidente americano, Barack Obama, e discursou no Congresso dos Estados Unidos, era descobrir uma forma de atrair os palestinos de volta a uma negociação direta, o que desarmaria o plano deles de procurar as Nações Unidas em setembro para exigir o reconhecimento de seu Estado dentro das fronteiras anteriores a 1967.

Mas, em vez disso, os palestinos dizem agora que os discursos de Netanyahu os convenceram de que não há parceiro nas negociações. Eles planejam intensificar seus esforços na ONU, deixando os israelenses preocupados com o crescente isolamento e a pressão internacional cada vez maior, especialmente diante dos levantes populares em todo o mundo árabe.

Uma caricatura publicada no jornal centrista Yediot Ahanorot ilustrou a preocupação geral. O avião de Netanyahu era mostrado voando perto de um vulcão. Dentro do avião, alguém diz, "No geral, a visita foi muito positiva". Do vulcão emana uma coluna de fumaça que soletra S-E-T-E-M-B-R-O. Jornais e emissoras repetiam comentários do mesmo tipo, assim como parlamentares da oposição.

O deputado do Kadima Avi Dichter disse à Rádio Israel que a viagem pode fechar a porta entre Israel e os palestinos. "É impossível que não exista um próximo passo na realidade atual do Oriente Médio. Espero sinceramente que o primeiro-ministro volte trazendo um plano."

A oratória de Netanyahu foi elogiada, mas sobraram críticas ao conteúdo do discurso. Para o colunista do jornal Maariv Ben Caspit, Bibi falou com brilhantismo, mas há dúvidas se essa vitória se estenderia também ao país. "Os que têm medo da guerra terão hoje mais motivos para temer", escreveu.

O colunista do Yediot Anahorot Nahum Barnea, que acompanhou Netanyahu a Washington, escreveu que, apesar de o primeiro-ministro ter falado bem, os resultados da visita eram preocupantes. Ele os resumiu na seguinte lista: "um presidente de quem os israelenses suspeitam e a quem o mundo árabe despreza por ter cedido aos ditames dos israelenses; negociações que tinham pouca chance de ser retomadas foram agora definitivamente afastadas; uma Autoridade Palestina e uma Liga Árabe mais determinadas do que nunca a chegar a uma resolução na Assembleia-Geral da ONU prevendo um Estado dentro das fronteiras de 1967, resolução esta que teria perigosas consequências para Israel".

Uma pesquisa de opinião realizada pelo Maariv no intervalo de um único dia mostrou que a popularidade de Netanyahu melhorou um pouco após sua visita a Washington - 37% dos israelenses disseram que ele seria o mais indicado para o cargo de primeiro-ministro. Como destacaram numerosos comentaristas, a questão agora é o que vai ocorrer nas áreas palestinas.

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