'Netanyahu está determinado a destruir diálogo', diz ANP

Negociador palestino diz que premiê israelense fechou todas as portas das negociações

Estadão.com.br

08 de novembro de 2010 | 15h08

RAMALLAH - O principal negociador da Autoridade Nacional Palestina (ANP) sobre a paz com Israel, Saeb Erekat, acusou nesta segunda-feira, 8, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de estar "determinado a destruir o diálogo" depois de ser anunciado que o governo israelense aprovou a construção de novas casas em Jerusalém Oriental.

 

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"Esperávamos que Netanyahu tivesse ido aos EUA para interromper a colonização e retomar o diálogo, mas para nós ficou claro que ele está determinado a destruir as negociações. Ele fechou todas as portas para as conversas e o responsabilizamos pela destruição", afirmou Erekat.

 

O Comitê de Planejamento e Obras do Distrito de Jerusalém publicou detalhes do programa de expansão de colônias ao longo do final de semana que preveem construções em Jerusalém Oriental, região da cidade sagrada reclamada como capital do futuro Estado palestino.

 

Os planos incluem 983 casas em Har Homa e outras 42 perto de Belém. Ainda são previstas 320 moradias em Ramot, ao norte. Essas são as primeiras licitações de Israel para novas casas depois do fim da moratória decretada no ano passado, que paralisou as construções por 10 meses e expirou no último dia 26 de setembro.

 

O anúncio deve piorar ainda mais a relação entre Israel e a ANP, já que toca em um assunto polêmico entre as negociações de paz - a ocupação em Jerusalém Oriental, região da cidade sagrada reclamada como capital do futuro Estado palestino.

 

Após meses de paralisação, as negociações diretas entre as duas partes foram retomadas em setembro, embora não tenha ocorrido nenhum avanço substancial.

 

A cisão entre os grupos palestinos também prejudica as negociações. Em 2007, ANP, facção secular liderada por Mahmoud Abbas, e o Hamas, movimento de resistência islâmica de inspiração religiosa, romperam o governo de coalizão que administrava os territórios palestinos.

 

Desde então, o Hamas - considerado por Israel e pelos EUA como uma organização terrorista - controla a Faixa de Gaza, e a Autoridade Palestina governa a Cisjordânia. O Hamas se nega a reconhecer o direito de existência de Israel e frequentemente lança foguetes contra o território judeu.

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