Netanyahu fala ao Congresso americano sobre processo de paz

Premiê deve defender posições mais rígidas de Israel nas negociações, como fronteiras e a questão dos refugiados

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2011 | 00h00

NOVA YORK

Menos de uma semana depois de o presidente Barack Obama apresentar ao mundo sua proposta para a criação de um Estado palestino, o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, terá, hoje, a oportunidade de mostrar sua visão de como seria este país em pronunciamento no Congresso dos Estados Unidos, onde ele conta com enorme apoio tanto entre democratas quanto entre republicanos.

Em outros discursos realizados em Israel nas últimas semanas, o primeiro-ministro aceitou que seja criado um Estado palestino, mas impôs uma série de condições. O novo país precisaria ser desmilitarizado, Israel tem de ser reconhecido como um Estado judaico e seria mantida uma presença militar na bacia do Rio Jordão, que separa a Jordânia da Cisjordânia.

Netanyahu também deixa claro que adota uma posição rígida nos três pontos mais delicados de um acordo. Jerusalém seria mantida unificada como capital de Israel. Em segundo lugar, os refugiados palestinos poderiam retornar para o novo Estado, mas não para o território israelense, de onde eram originalmente. Por último, as fronteiras seriam diferentes das de 1967.

Os dois primeiros tópicos não foram abordados por Obama em seus discursos ao mundo árabe na quinta-feira e, anteontem, na Aipac (lobby conservador pró-Israel). Segundo o presidente, o status final de Jerusalém e a questão dos refugiados devem ser discutidos posteriormente.

Para Obama, que concorda com a ideia de um Estado desmilitarizado, as linhas de 1967 devem ser usadas como base para as fronteiras dos dois países, com os ajustes necessários, levando em conta as mudanças demográficas nos últimos 44 anos. Basicamente, os principais blocos de assentamentos ficariam no lado israelense, com os palestinos sendo compensados com outras terras.

A posição do presidente americano foi defendida pela líder da oposição israelense, Tzipi Livni, em discurso à Aipac ontem. Segundo ela, a criação de um Estado palestino não é um favor para Obama, mas uma necessidade para Israel.

Na Casa Branca, não é segredo para ninguém que o presidente preferia vê-la no poder, em vez de Netanyahu, que discursaria na noite de ontem na Aipac. Os dois não têm boas relações e Obama estaria irritado com críticas do premiê a seu discurso.

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