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Ronen Zvulun/Pool via EFE/EPA
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Netanyahu lida com efeitos políticos da tragédia

Premiê foi vaiado durante visita que fez ao Monte Meron, palco de tumulto que terminou com a morte de pelo menos 45 pessoas

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2021 | 22h03

TEL AVIV - O tumulto que terminou com a morte de pelo menos 45 pessoas e deixou 150 feridos no Monte Meron, na Alta Galileia, em Israel, terá repercussões políticas em um momento de grande incerteza após a inconclusiva eleição de março, a quarta em dois anos.

O primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, até agora não teve sucesso em formar uma coalizão governamental. O prazo para que ele costure uma aliança acaba na próxima terça-feira, 4. Se falhar, seus rivais políticos terão a chance de tentar formar uma aliança que pode excluí-lo do poder.

Netanyahu há muito confia em poderosos partidos ultraortodoxos como aliados e precisará do apoio deles se quiser manter vivas as esperanças de permanecer no cargo.

Durante a visita que fez nesta sexta-feira, 30, ao Monte Meron, o premiê foi vaiado por dezenas de manifestantes religiosos que culpam o governo pela tragédia. Se o descontentamento se espalhar, isso certamente pode prejudicar ainda mais as perspectivas de Netanyahu.

A tragédia também ameaça aprofundar uma forte reação pública contra os judeus ultraortodoxos. Netanyahu foi muito criticado no ano passado por permitir que a comunidade ultraortodoxa desprezasse as diretrizes de combate à crise sanitária. 

O primeiro-ministro permitiu a abertura de escolas e sinagogas e a realização de funerais em massa, tudo que estava vetado para os demais cidadãos. A comunidade ultraortodoxa está entre as mais atingidas pela doença em Israel.

Gideon Rahat, cientista político da Universidade Hebraica e bolsista do Instituto de Democracia de Israel, disse que, nos próximos dias, haverá uma batalha sobre a responsabilidade pelo trágico evento. 

Netanyahu pedirá a unidade nacional, enquanto seus oponentes dirão que ele não está mais apto para permanecer no cargo e é hora de mudanças. “Há uma batalha no enquadramento, quem é ou não o culpado”, disse Rahat. “Já vemos os sinais disso.” 

De acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde de Israel, as reuniões públicas continuam limitadas a, no máximo, 500 pessoas. No entanto, a imprensa israelense disse que Netanyahu garantiu aos líderes ultraortodoxos que as comemorações ocorreriam mesmo com o risco de uma superexposição dos participantes ao vírus, apesar das objeções das autoridades de saúde pública. A assessoria de imprensa de Netanyahu não respondeu aos pedidos de entrevista para comentar o caso. / AP

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