Netanyahu oferece chancelaria ou Finanças a líder centrista

Partido de Yair Lapid conquistou 19 assentos na Knesset e não decidiu se integrará coalizão do primeiro-ministro

JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2013 | 02h06

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, ofereceu a Yair Lapid, líder do Partido Yesh Atid (Há um Futuro) - que surpreendeu analistas políticos nas eleições legislativas da terça-feira ao conquistar 19 assentos na Knesset (Assembleia) -, os ministérios de Relações Exteriores e de Finanças, informou ontem a imprensa do país.

Segundo o jornal Yedioth Ahronoth, o premiê comunicou sua oferta ao ex-astro da TV na noite da quinta-feira, em meios às negociações que conduz para formar a coalizão de seu governo. A reunião entre os líderes ocorreu na residência oficial de Netanyahu, a portas fechadas.

As principais plataformas da campanha do partido centrista Yesh Atid tiveram como foco temas sociais, como a obrigatoriedade do serviço militar a todos os cidadãos do país - sem as exceções atualmente feitas aos judeus ultraortodoxos -, o acesso a moradia e a defesa da classe média israelense.

Analistas afirmam que Lapid relutaria a aceitar as pastas que lhe foram oferecidas, inclinando-se mais para os ministérios da Habitação, da Educação ou do Interior. A imprensa israelense afirmou ainda que a líder do Partido Trabalhista, Shelly Yachimovich, disse a Netanyahu que não participará da coalizão de seu novo governo.

Os partidos religiosos israelenses afirmaram ontem que estão se agrupando para lutar pela inclusão em qualquer aliança que o premiê componha. A manobra política tende a complicar a elaboração da nova coalizão de Netanyahu, pois os líderes das legendas Shas (sefardita) e Judaísmo Unido da Torá (de ultraortodoxos) afirmaram que pretendem combinar forças para combater o centrista Yesh Atid.

Em razão de seu forte poder de barganha, acredita-se que a entrada do partido de Lapid no governo abrirá caminho para que Israel obrigue os mais religiosos a ingressar nas Forças Armadas. A influência da legenda ainda melhoraria as condições para a elaboração de um tratado de paz com os palestinos que leve à solução de dois Estados.

"Yair Lapid afirmou claramente que irá para a oposição se o governo não estiver comprometido com ambas as questões", afirmou Dov Lipman, rabino de origem americana eleito parlamentar pelo Yesh Atid. "Estamos confiantes de que os dois objetivos podem ser alcançados", disse.

Diplomacia. O secretário de Estado americano designado, John Kerry, planeja visitar Israel e a Cisjordânia no próximo mês para estudar possibilidades de retomada do processo de paz entre israelenses e palestinos, informou ontem o jornal Haaretz. Ainda ontem, o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, enviou um recado a Israel: as diferenças com o Irã - acusado de manter um programa nuclear com fins militares e nega a acusação - devem ser revolvidas diplomaticamente. / AFP, AP e REUTERS

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