Netanyahu: palestino capturado na Ucrânia é do Hamas

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse hoje que o palestino Dirar Abu Sisi, de 42 anos, que desapareceu na Ucrânia e ressurgiu numa prisão israelense no mês passado, é um integrante do Hamas. A declaração foi feita durante uma entrevista concedida pelo premiê a um programa do site de compartilhamento de imagens YouTube.

AE, Agência Estado

30 Março 2011 | 18h28

Não está clara a razão pela qual Israel mantém o engenheiro numa prisão. Ele trabalhava numa usina de energia na Faixa de Gaza e desapareceu em 19 de fevereiro, após entrar num trem na Ucrânia. Somente no último dia 20 Israel admitiu mantê-lo na cadeia. Segundo a revista alemã Der Spiegel, até então a censura militar israelense proibia os meios de comunicação locais e os correspondentes internacionais em Israel de tratar do caso de Abu Sisi.

Mas um processo aberto por um grupo de direitos humanos palestino fez com que Israel pelo menos admitisse que Abu Sisi está detido em território israelense. A Der Spiegel informou que outros aspectos da prisão do engenheiro palestino continuam sob a censura militar israelense.

A revista alemã citou um informante não identificado dizendo que Israel considera Abu Sisi um alto integrante do Hamas, que tem conhecimento de uma série de segredos do grupo militante islâmico. "Se o Mossad (serviço secreto israelense) teve todo esse trabalho e interrogou o homem por seis semanas, então ele deve saber alguma coisa que Israel quer muito ouvir", disse a fonte. "Se Abu Sisi fosse apenas alguém ''irritante'', teria simplesmente sido morto", disse o informante à Der Spiegel.

O grupo humanitário Centro Palestino para os Direitos Humanos afirma que Abu Sisi foi retirado à força do vagão-dormitório no qual viajava, encapuzado e algemado por agentes israelenses antes de ser colocado em um avião e levado para o Estado judeu contra sua vontade. O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) considera que a forma como Abu Sisi foi levado para Israel tem mais traços de um sequestro violento do que de uma extradição dentro das normas da lei.

Veronika, a esposa de Abu Sisi, rechaçou especulações de que seu marido poderia ter vínculos com o braço armado do Hamas. Ele faz parte da diretoria de uma usina de energia em Gaza, território palestino litorâneo governado pelo braço político do Hamas. "Trata-se de um ato flagrante de violação da lei, da soberania de um Estado e dos direitos humanos", denunciou Veronika. O casal tem seis filhos.

YouTube

Apesar de suas relações conturbadas com os meios de comunicação, Netanyahu participou hoje de uma entrevista no YouTube com perguntas feitas por internautas de 90 países, dentre eles nações que não têm relações com Israel. Ele respondeu a dois blocos de perguntas, um em hebraico e outro em inglês, cada um com duração de meia hora.

Ao responder uma pergunta sobre os protestos na Síria, o primeiro-ministro israelense disse que "ficaria feliz se a Síria se tornasse democrática. Não temos nada a temer com a democracia no Oriente Médio. A democracia não é o inimigo da paz". Ele declarou que os levantes no mundo árabe são positivos se levarem à democracia, mas que teriam um efeito devastador em todo o mundo se os militantes, apoiados pelo Irã, prevalecerem. As informações são da Associated Press.

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