Netanyahu pede à ONU que dê um ultimato ao Irã

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, alertou nesta quinta-feira que o Irã terá urânio enriquecido para construir uma bomba atômica no próximo verão (no Hemisfério Norte), em meados de 2013. Ao discursar na 67ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o premiê israelense disse que o mundo precisa riscar uma "linha vermelha", ou seja uma linha de limite, para que o Irã recue em seu programa nuclear. "A hora é tardia, muito tardia", disse Netanyahu, pedindo que a ONU fixe um ultimato para o Irã.

AE, Agência Estado

27 de setembro de 2012 | 16h22

Netanyahu tem repetido várias vezes que o tempo está cada vez mais curto para impedir que a República Islâmica vire uma potência nuclear e que a ameaça precisa ser considerada seriamente. O Irã nega que seu programa nuclear tenha finalidades bélicas.

Netanyahu afirmou que o Irã já consegue enriquecer urânio a 70% e que é preciso evitar que enriqueça o mineral a 90%, o necessário para carregar uma bomba com combustível. Netanyahu usou até mesmo um cartaz com uma bomba caseira desenhada, que representaria uma bomba atômica, para explicar seu argumento.

"Confrontado com uma linha vermelha de verdade, o Irã recuará", disse Netanyahu, ao insistir que impor um ultimato ao Irã não provocará uma guerra, ao contrário, servirá para evitá-la. Israel tem advertido que poderá lançar um bombardeio maciço contra as usinas nucleares iranianas para evitar que Teerã tenha a bomba.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse em discurso na ONU na terça-feira que os EUA evitarão que o Irã construa a bomba, mas é contra impor um ultimato a Teerã.

"O que está em jogo é futuro do mundo. Nada poderá colocar em risco nosso futuro mais que um Irã armado com bombas atômicas", afirmou Netanyahu. Ele listou uma longa série de supostos ataques terroristas e também de conflitos militares atribuídos ao Irã e questionou: "Se as redes terroristas deles estiverem armadas com bombas atômicas, quem entre vocês se sentirá seguro no Oriente Médio? Quem se sentirá seguro na Europa, nos Estados Unidos? Quem se sentirá seguro em qualquer lugar?", questionou. Segundo Netanyahu, os líderes do Irã são "fanáticos religiosos" prontos a sacrificarem imediatamente a própria população.

As relações entre Netanyahu e Obama estão congeladas. O presidente dos EUA não recebeu o premiê de Israel na Casa Branca nesta semana e sequer marcou uma reunião informal em Nova York, onde fica a sede da ONU. Obama deverá dar um telefonema na sexta-feira a Netanyahu, antes que ele volte a Israel.

O secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta, descartou recentemente um ultimato para o Irã. Panetta alertou que presidentes e líderes de Estado raramente usam essa estratégia, que representa um risco psicológico perigoso não só para quem faz a ameaça, como também para o ameaçado. "Esse é o mundo real. Um ultimato é um tipo de argumento que é usado para tentar encostar alguém contra a parede. Líderes dos países não têm, você sabe, uma série de ultimatos que determinam suas decisões", disse Panetta.

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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