REUTERS/Amir Cohen
REUTERS/Amir Cohen

Netanyahu perde apoio da Casa Branca em eleições de Israel

Primeiro-ministro de Israel era aliado do ex-presidente Donald Trump, a quem já chamou de 'melhor amigo' do país asiático na Casa Branca

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2021 | 05h00

TEL-AVIV - Para as próximas eleições legislativas, o primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu perdeu um aliado de peso, o de um presidente dos Estados Unidos. Nas últimas três eleições, cartazes gigantes nas estradas do país mostravam Netanyahu com Donald Trump, e o líder israelense se gabava de sua relação com o americano, a quem chamou de "melhor amigo" que Israel teve na Casa Branca.

Mas Trump não foi reeleito em novembro, e Netanyahu está fazendo campanha para as eleições legislativas de 23 de março - as quartas em menos de dois anos - em um país politicamente dividido. Embora os Estados Unidos defendam Israel, o governo Biden busca manter a maior distância dessas novas eleições, consideram analistas.

"A presença do governo dos EUA é mínima", em comparação com as campanhas recentes, explica Tamar Hermann, professor de ciência política da Universidade Livre de Israel. "Até recentemente, Netanyahu ainda dizia para seus seguidores 'olhem, quando quero, só tenho que bater na porta da Casa Branca e a porta se abre'", afirma.

Depois de assumir o poder em 20 de janeiro, Joe Biden esperou um mês para se reunir com Netanyahu, detalhe que não passou despercebido na imprensa israelense. "Boa conversa", Biden resumiu. Conversa "calorosa" e "amigável", comentou Netanyahu.

Biden já disse que manteria a embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém e não a mudaria para Tel Aviv. E que iria respeitar os acordos de normalização das relações entre Israel e vários países árabes (Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Sudão, Marrocos), incentivados por Trump.

Seu governo se opôs à decisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) de abrir uma investigação por supostos "crimes de guerra" cometidos por Israel nos Territórios Palestinos. Porém, Biden também prometeu tentar retomar o acordo sobre o programa nuclear do Irã e recuperar os laços diplomáticos com os palestinos.

Os dois políticos se conhecem há décadas, mas seu relacionamento sofreu um revés quando Biden era vice-presidente de Barack Obama, que tentou convencer Israel a suspender a colonização da Cisjordânia ocupada.

"Não há amor por Netanyahu no governo (Biden) ou nas elites democratas", ressalta Shibley Telhami, especialista em política externa dos Estados Unidos da Universidade de Maryland. Para os democratas, "o problema hoje é que as alternativas (a Netanyahu) são quase tão ruins" quanto ele, acrescenta.

As últimas pesquisas em Israel dão ao partido Likud, conservador, o primeiro lugar, seguido pelo Yesh Atid de Yair Lapid (de centro) e depois as formações de extrema-direita e conservadoras lideradas por Gideon Saar e Naftali Bennett.

Para Dan Shapiro, embaixador dos Estados Unidos em Israel durante o governo Obama, o governo Biden não terá escolha a não ser "trabalhar com quem quer que surja" nas eleições. "Mas, olhando as coisas de um ponto de vista mais geral, a prioridade do presidente Biden não é realmente o Oriente Médio", explica, em alusão, entre outras questões, aos efeitos da pandemia na principal potência mundial.  / AFP

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