Netanyahu rejeita ameaças de boicote feitas por Kerry

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, rejeitou neste domingo as declarações do secretário de Estado norte-americano, John Kerry, advertindo sobre o crescente boicote contra o Estado israelense se as negociações de paz com os palestinos fracassarem.

Agência Estado

02 de fevereiro de 2014 | 12h00

"As tentativas de impor um boicote ao Estado de Israel são imorais e injustas. Além disso, não atingirão seus objetivos", disse ele durante o início de uma reunião semanal de gabinete.

"Em segundo lugar, nenhuma pressão fará com que eu ceda no que diz respeito aos interesses vitais do Estado de Israel, especialmente a segurança dos cidadãos de Israel. Por essas duas razões, ameaças de boicote ao Estado de Israel não atingirão seus objetivos."

As declarações de Netanyahu foram feitas um dias depois de Kerry ter advertido sobre o potencial impacto econômico das ações do país sobre sua própria economia.

"Para Israel, os riscos também são muito altos", declarou o chefe da diplomacia norte-americana durante uma conferência de segurança em Munique.

"Há uma crescente campanha de deslegitimação contra Israel, que está crescendo. As pessoas são muito sensíveis a ela. Há rumores sobre boicotes e outras coisas", disse Kerry.

Nos últimos meses, um crescente número de governos e empresas internacionais têm afirmado que não farão negócios com empresas israelenses com ligações com assentamentos judaicos em territórios palestinos, o que destaca o sucesso de uma campanha de boicote liderada pelos palestinos.

O chamado movimento BDS (boicote, desinvestimento e sanções pela Palestina) trabalha para convencer governos, empresas e celebridades a cortar todas as suas ligações com empresas israelenses que tenham atividades em territórios palestinos ocupados, numa tentativa de repetir o sucesso do boicote que pôs fim ao apartheid na África do Sul.

Na semana passada, a atriz norte-americana Scarlett Johansson foi forçada a escolher entre ser embaixadora da organização humanitária britânica Oxfam ou ser garota propaganda da empresa israelense SodaStream, que tem uma fábrica na Cisjordânia, depois de o grupo ter afirmado que das funções eram "incompatíveis". Ela cortou suas relações com a Oxfam.

No mesmo dia, o fundo soberano da Noruega colocou em sua lista negra duas empresas israelenses envolvidas em construções em assentamentos em Jerusalém Oriental.

Desde 1º de janeiro, a União Europeia também bloqueou todos os subsídios e financiamentos para organizações israelenses que operem além das linhas estabelecidas antes da guerra de 1967, quando Israel anexou os territórios palestinos. Fonte: Dow Jones Newswires.

Tudo o que sabemos sobre:
IsraelEUAKerryNetanyahuboicote

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.